Conhecidos os vencedores do Prémio Nacional de Cultura e Artes

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O júri do Prémio Nacional de Cultura e Artes distinguiu os vencedores da edição relativa a 2014, sendo eles Albino Carlos (categoria Literatura), João Mabuaka “Mayembe” (Artes Plásticas), Companhia Enigma Teatro (Teatro), Grupo de Dança Tradicional Katyavala do Bailundo (Dança), Gabriel Tchiema (Música), Asdrúbal Rebelo da Silva (Cinema e Audiovisual) e Centro de Estudos do Deserto (Investigação em Ciências Humanas e Sociais).

O escritor Albino Carlos foi premiado, argumentou o júri, “pela qualidade estética da sua obra ‘Issunje’, na qual manifesta uma profunda subtileza na transposição em narrativa de algumas das vicissitudes que determinaram a nossa história mais recente, ao mesmo tempo que manifesta um olhar penetrante na observação dos aspectos mais ‘tumultuosos’ da vida quotidiana do povo angolano”.
O autor, completa o júri, “distingue-se ainda, nesta obra, pela criação e refundição de novas lexias e configurações de escrita oralizantes que se alicerçam num modelo discursivo que vem de trás, no domínio da literatura angolana e da tradição oral. Com leveza e mestria, o autor traz para a literatura, numa espécie de quase exorcismo, momentos que marcaram profundamente a história do nosso país”.
O escultor João Mabuaka “Mayembe” mereceu a distinção do corpo de jurados pela sua obra “O Outro Olhar da Sabedoria”, talhada em pedra, “exemplo inequívoco da singular mestria do artista, remetendo-nos a uma interiorização espiritual, pela sua expressão soberbamente delineada, transmitindo o sentido de respeitabilidade que os anciãos merecem na nossa vida social e que vem fazendo história ao longo dos tempos”.
Outro pormenor que sobressai na obra, sublinha o júri, “é a linguagem ousada que o artista busca na coroação da figura, cujas linhas se encaixam em perfeita harmonia com os cânones artísticos de eleição”.
Os elogios do júri não ficaram por aí: “este artista impressiona pela perfeição que incute à sua obra, produto de conhecimento de valores fundamentais essenciais ao bom desempenho da disciplina artística com que lida, o que de resto se expressa na obra laureada”.
A Companhia Enigma Teatro foi premiada pelo conjunto da sua obra “marcado pelo espírito inovador, integridade artística, especificidade estética e artística”, particularmente as obras “Na Corda Bamba”, “A Raiva”, “De Luandinha a Luanda para Luandão”, “Apaixonados por Engano”, “A Grande Questão” e “Sujeito e Azarado”.
“Com objectividade e liberdade de imaginação e fantasia, o grupo tem sabido recriar o mundo circundante, o homem, a vida social e os valores estéticos e morais, o que constitui o resultado de uma ideia criadora concreta realizada e plasmada, conforme as leis da linguagem artística específica, de forma integral e irrepetível”, refere a acta do júri.
Na categoria Dança o Grupo de Dança Tradicional Katyavala do Bailundo foi igualmente distinguido pelo conjunto da sua obra, “que tem como base a preservação e divulgação das danças tradicionais da comunidade, praticando diferentes estilos de dança tradicional dentre os quais ‘Onhatcha’, ‘Olundongo’, ‘Catita’ e ‘Elissemba’.”
Reza a acta do júri que “apesar da sua dimensão e estrutura, o grupo tem sabido, com grande determinação e nível de execução artística contribuir para a formação da emoção inteligente e socialmente valiosa, em que os valores ideológicos e morais da vida social estão sempre representados”.
O CD “Mungole”, lançado em Dezembro de 2013, é o principal responsável pela atribuição do prémio a Gabriel Tchiema. No dizer do júri, a obra em causa “traduz o mais alto nível de investigação e cuidados na elaboração artística e cultural da música e integra elementos pedagógicos da tradição oral centrados na cultura Cokwe, mesmo que por vezes com recurso aos de outras comunidades sócio-culturais angolanas”.
A obra “expressa um trabalho de resgate de ritmos tradicionais da região do Leste do país, que trazendo uma roupagem técnico-musical a emblemáticas canções, com fulgor e indelével marca na interpretação, vem brindar a todos com níveis de excelência que se percebem nas canções que integram a obra e demonstram habilidades na execução instrumental, personalizando-a com a sua magnífica voz, transmitindo íntimas e expressivas emoções”.
O cineasta Asdrúbal Rebelo da Silva chamou a atenção do júri também pelo conjunto da sua obra, de que se destacam os títulos “Levanta, Voa e Vamos”, “Escrever a Vida” e a série “Valeu”. O Júri considerou-o “autor de grande criativadade, em relação às temáticas que aborda, com um aturado trabalho de pesquisa de pré-produção, com uma forma e tipo de abordagem conseguidas, conjugando com exemplaridade o material de arquivo de há mais de trinta e sete anos e o material actual, de maneira linear e com uma linguagem técnica acessível”. A obra de Asdrúbal Rebelo da Silva, enfatiza o júri, “prova-nos que a história é uma das grandes riquezas de um povo”.
O Centro de Estudos do Deserto (CE.DO) mereceu o prémio na categoria de Investigação em Ciências Humanas e Sociais “pela significativa actividade no domínio da investigação científica, sediando e promovendo projectos colectivos de investigação, organizando eventos de reflexão e partilha de informação e conhecimento e funcionando como um centro de acolhimento e plataforma de apoio logístico aos investigadores interessados e/ou envolvidos em projectos de investigação individuais, relacionados com a sua área de intervenção e com a sua área de inserção geográfica”.
A acta do júri prossegue: “orientado para um melhor conhecimento de uma região periférica do país e de comunidades com características singulares em termos socioculturais e de modo de vida, a actividade do CE.DO tem surgido inequivocamente comprometida com a promoção do conhecimento como agente de mudança e como instrumento de desenvolvimento dessas comunidades”.
Foram partes do júri António Fonseca, António Costa (Literatura), Álvaro Cardoso, Mendes Ribeiro (Artes Plásticas), José Silveira Teixeira, Avelino D’ Almeida Tavares Neto (Teatro), Manuel Vieira Dias Tomás, Inocêncio José de Oliveira (Dança), Emanuel Mendes, José Massano Júnior (Música), Ngoi Salukombo, Óscar Gil (Cinema e Audiovisual), João Pedro Lourenço e Carlos Manuel Lopes (Investigação em Ciências Humanas e Sociais). Ao longo da sua vigência o júri confrontou-se com a morte do antropólogo Samuel Aço, seu presidente e integrante da subcomissão de Investigação em Ciências Humanas e Sociais. Avelino D’ Almeida Tavares Neto passou a presidente em exercício e Carlos Manuel Lopes foi chamado a integrar a subcomissão de Investigação em Ciências Humanas e Sociais.
O Prémio Nacional de Cultura e Artes, instituído pelo Estado, visa “o incentivo à criatividade, à produção dos bens culturais e do conhecimento e à compreensão da diversidade das manifestações linguísticas e culturais do povo angolano e da unidade do Estado e da Nação”.
Os vencedores da edição do ano passado foram Manuel Pedro Pacavira (Literatura), Aurora Ferreira (Investigação em Ciências Humanas e Sociais), José Mununga (Artes Plásticas), grupo Oásis da Base Aérea Número 1 (Teatro), Raúl Correia Mendes (Cinema e Audiovisual), Justino Handanga (Música) e Domingos Nguizani (Dança).

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