CONTRIBUIÇÃO PARA O PENSAMENTO HISTÓRICO E SOCIOLÓGICO ANGOLANO

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Uma colectânea de vários textos.

Capa do livro Cornélio Caley Fotografia: Arquivo

Não é comum nas academias que um autor apresente a sua própria obra, porque corre o risco de se lisonjear. Por isso e por se tratar de 2ª Edição, não vou falar do livro.
Aproveitarei os poucos minutos que me foram concedidospara falar de motivações.
Para quem tenha lido a 1ª Edição, a 2ª Edição não traz nada de novo. A Ciência evolui a cada momento e o impacto disto é maior nos novos países.
Trata-se de uma colectânea de vários textos. Contudo, encontrámos,em quase todos, temas recorrentes, exemplo, do tradicional, o moderno, a etnia, a raça, a identidade nacional e o desenvolvimento.
Todos estes temas ajudam-nos a clarificar o caminho a trilhar para a construção de Angola como Nação. Somos um país novo, que experimentou vários conflitos armados, entre os quais o último, que foi bastante longo e devastou infra-estruturas, lugares e, sobretudo, o tecido humano.
Por isso, só há 15 anos despontamos para o desenvolvimentoa uma velocidade invejável. Tudo isto precisa de ser compreendido, a fim de que marchemos, sempre,juntos.
Estamos a reconstruir a nossa imagem junto da comunidade internacional. Precisamos de continuidade, ou seja, mudança na continuidade, para o fortalecimento das instituições do Estado.
Tudo isto exige, também, uma direcção firme e uma educação clara e inclusiva, porque em sociedade, somos todos actores.Temos de compreender como combinar os valores positivos do tradicional com os da modernidade para fortalecer a angolanidade. Fazercom que tudo isso aflua na afinação daquilo que especifica a “angolanidade” no contexto da africanidadee da lusitanidade.
Na África, territórios recentemente criados pelas potências coloniais, caso de Angola, enfrentam problemas na afirmação da identidade nacional, porque ainda está latente o modo de vida tradicional nas nossas mentes num momento em que o mundo se estreita para aquilo que se chama globalização. Assim, na África, o desafio é maior. De fora, só se deve copiar o que,de facto, seja viável implementar nos nossos países. De outra forma, estaremos a cavar cada vez mais o fossoque nos separa dos ocidentais.
Angola, felizmente, apresenta-se com vantagens visíveis. Temos um país rico, um nível de integração social, possivelmente, o maior na denominada África Negra.
Temos uma linha política e filosófica de construção de Angola que nos foi legada por Agostinho Neto e companheiros, continuada, com toda a coragem, por José Eduardo dos Santos e agora a ser continuada por João Lourenço..
Por isso, tenho sido tentado a produzir textos para compreender o processo que nos conduz a serangolanos, a ser nós mesmos num mundo globalizado.
Penso que será o conhecimento do fio condutorcultural que remonta da ancestralidadee que, compulsivamente, assimilou e desassimilou elementos culturais europeus que nos catapultará para o desenvolvimento. Aqui falo da reciprocidade dialéctica do fenómeno assimilação.
Termino por afirmar que vivemos dias interessantes e felizes. A angolanidade está a assentar entre nós. O povo está unido. Temosque saber estar permanentemente junto do povo, evitando discursos que alimentemou criem o “Outro”.
Cornélio Caley

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