Crianças do Bengo Ler para renascer

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O Governador Provincial do Bengo, João Bernardo de Miranda, que também é membro da União dos Escritores Angolanos (UEA) disse na manhã do dia 11 de Junho, em Caxito, que “a UEA vai manter o seu comboio a circular pelo país. E a primeira estação é Caxito”. Aquele dirigente referia-se ao facto de a UEA ter levado o debate "Maka à 4ª feira" a Caxito naquele mesmo dia. E proferiu estas palavras no final do seu discurso  que lançou o Plano Provincial de Leitura (PPL), criado com o objectivo de reduzir os índices de iliteracia e estimular a competição saudável entre alunos em prol do seu renascimento académico e cultural.

Crianças do Bengo Ler para renascer
Crianças do Bengo Ler para renascer Fotografia: Paulino Damião

A cerimónia que contou também na mesa com as presenças do secretário-geral da UEA, Carmo Neto, do director provincial da Educação, António Quino, e da professora Maria Luísa Carvalho, leitora do Instituto Camões, teve lugar na direcção provincial de Educação, na sala professor Benvindo Samuel de Carvalho, um homem que dedicou 40 anos ao ensino na província do jacaré bangão.
O governo da Província aprovou em 2013 o PPL, que prevê o aumento da capacidade de produção de escrita, organização do raciocínio lógico e maior poder de interpretação por parte dos alunos, devendo beneficiar, numa fase piloto, cerca de 420 alunos (envolverá cerca de 60 alunos e 12 professores em representação dos 6 municípios da província).
O projecto conta com os apoios da União dos Escritores Angolanos, da Universidade Independente de Angola e do Instituto Superior de Ciências de Educação de Luanda.
O secretário-geral da UEA, Carmo Neto, recomenda que “o Estado deve ser o consumidor número um dos nossos produtos artísticos. Não apenas para valorizar e fazer circular internamente a obra de arte nacional, mas, e acima de tudo, para que o produto artístico esteja disponível para os consumidores angolanos dentro do espaço do território nacional e, fora das nossas fronteiras, possa servir de cartão de visita sobre o que é Angola.”
A UEA comprometeu-se ali em Caxito em apoiar na selecção e disponibilização de livros, apoio na vinda de escritores para interagirem com leitores e, finalmente, em patrocinar as Olimpíadas de Língua Portuguesa, um concurso anual que é parte integrante do Plano Provincial de Leitura, que, de acordo com a professora Luísa Carvalho permitirá aos alunos “abrir a porta da sabedoria”.

Pertinência de um Plano Provincial de Leitura
“Hoje, é frequente apontarmos um conjunto de defeitos aos formandos que saem do nosso sistema de ensino, nomeadamente um fraco poder de interpretação, inabilidade na produção escrita, deformação no raciocínio lógico, além da fraca cultura geral que o hábito de leitura poderia gerar”, disse director provincial António Quino, que continuou: “Por considerarmos que é de pequeno que se constrói o hábito, direccionamos o referido Plano às crianças/alunos matriculadas no ensino primário, a partir da sala de aula para outros espaços, como o familiar, sendo a disciplina eleita para a aplicação das estratégias a de Língua Portuguesa”.
O próximo passo, segundo Quino, implica apostar na formação de professores e intermediários de leitura. A aquisição dos livros, e porque isso exige um forte componente científica, é um passo deixado ao critério dos parceiros da academia, nomeadamente Universidade Independente de Angola e o ISCED-Luanda, que irão sugerir o tipo de livro, autor, título, etc. Feito isso, o governo da província compromete-se a adquirir as obras não apenas para os alunos terem os livros físicos consigo, como apetrechar as bibliotecas escolares e não só.
Nessa perspectiva, a leitura deverá acontecer em 2015, após a formação dos professores e facilitadores da leitura e a selecção e aquisição dos livros.

Comboio da UEA apeia maka no Bengo
Com a sala da biblioteca provincial a respirar presenças de diferentes estratos sociais, com ênfase para os intelectuais e estudantes da província, e o incontornável olhar paternalista dos sobas com seus trajes tradicionais, o director provincial da Cultura, Moisés Kafala saudou a iniciativa, logo secundado pelo secretário-geral da UEA que levou a maka à quarta-feira sobre “A fronteira entre o texto literário e o não literário” à cidade que já foi a mais doce de África, pela intensíssima produção de açúcar. Quem dissertou foi António Quino traçando a linha delimitadora entre a escrita criativa e a escrita meramente discursiva. Seguiu-se uma série de intervenções do público presente, tendo o governador João Miranda fechado as hostilidades com um discurso promissor sobre a nova realidade do confronto de ideias, muito salutar, sobre a arte de escrever e a crítica do que se escreve no país e no mundo.

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