CUNENE: Vida de Kundi Paihama narrada em livro

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A obra literária reúne em si uma serie de vivências de Kundi Paihama.

Cunene: Vida de Kundi Paihama narrada em livro
Kundi Paihama

O acervo literário nacional, que retrata a vida de figuras históricas e seu valoroso envolvimento na luta pela conquista da Independência Nacional e pacificação do país, ganhou há dias mais um rebento, com o lançamento do livro "General Kundi Paihama-Uma Historia de Batalhas e Conquistas", de autoria de António Ngula Chivinga.
A obra chegou no último final de semana de Maio às mãos do publico leitor da província do Cunene, actual residência do autor, com uma sessão de apresentação, venda e assinatura de autógrafos, depois de ter sido estreado na capital do país no inicio do mesmo mês.
O presidente da Brigada Jovem de Literatura do Cunene, Mário Afonso, considerou o livro como um notável contributo à literatura sobre a história nacional, ao recorrer a máxima de que "As palavras voam, os homens morrem e as obras ficam para sempre".
Amantes da leitura locais afirmaram que “General Kundi Paihama-Uma História de Victorias e Conquistas” vem, sem margem de dúvidas, imortalizar a vida de um homem, que com o seu saber, inteligência e determinação, contribuiu para o alcance da Independência, da paz e da justiça social no país, ao mesmo tempo trazer ao conhecimento das novas e futuras gerações a trajectória daqueles que fizeram com que a liberdade fosse hoje um facto.
A obra literária reúne em si uma serie de vivências de Kundi Paihama, um menino que desde muito cedo emergiu das profundezas da municipalidade de Quipungo, na província da Huila, e foi atrás da escola na vila de Caluquembe e posteriormente na cidade do Lubango.
A vida da personagem principal do livro teve contextos complicados, desde a separação dos seus progenitores à disputa travada entre o pai e o tio materno em tê-lo. O primeiro fundamentando-se no direito que se lhe reserva de ser pai biológico e o segundo no direito cultural africano sobre o grau parentesco.
Na tradição da figura retratada no livro, o progenitor perde sempre para o tio materno porque ele pode ou não ser o verdadeiro pai.
A sua passagem pelo internato de Caluquembe ficou marcada por dificuldades. As camas não tinham colchões e eram de tábua. A alimentação não era suficiente, o que lhes obrigava a vender lenha para conseguir comida extra.
O seu espírito de revolta iniciou na sequência de ambiente de discriminação que, segundo Kundi Paihama, reinava no internato. O grande exemplos surge quando foi construída a Missão de Sussangue, no mesmo município, onde todos os filhos dos missionários e dos brancos foram estudar, deixando para trás as péssimas condições.
A sua rebeldia no internato veio a custar-lhe a expulsão. De regresso ao seu kimbo jurou não voltar a Caluquembe, o tio ameaçou com surra, e dias depois retornou a escola, mercê também do perdão concedido por uma das missionarias, porque ele era um aluno inteligente.
A sua inteligência valeu-lhe uma bolsa de estudo para o Liceu em Sá da Bandeira, hoje Lubango. Ali seguiram reprovações porque já tinha namorada, e as brincadeiras sobrepunham-se aos estudos. O bolseiro traiu o Lar de Caluquembe que apostou nele para que no futuro fosse professor na instituição. Afinal no coração pairava o sonho de ser medico.
No livro o autor revela as contrariedades que Kundi Painhama viveu na tentativa de escapar da tropa colonial, mas não conseguiu. Cumpriu a vida militar, mas ainda assim teve que pagar caro com cadeias por ser sempre um fugitivo e revoltoso.
“O que me fazia fugir da tropa colonial não era o medo. Era o facto de saber que seria um instrumento nas mãos do colono”, conta.

A conquista do espaço politico

O livro revela outros momentos especiais que caracterizaram Kundi Paihama na vida da Nação. O primeiro ponto mais alto foi a sua nomeação em 1976 a comissário provincial do Cunene, sendo o primeiro no período pós independência, onde foi um dos grandes protagonistas na defesa dessa região contra a invasão sul-africana.
A vida politica de Kundi Paihama foi marcada por uma viagem triste a Cuba, por ser o local onde lhe chegou a noticia da morte do Presidente Agostinho Neto, e onde ia representar o Chefe de Estado na Cimeira dos Países Não-Alinhados, meses depois de ser nomeado como ministro do Interior. Afinal a sua convivência com Agostinho Neto só estava a começar.
O também general conta que a notícia a 10 de Setembro de 1979 caiu como se fosse uma bomba atómica. O seu regresso ao país foi imediato, porque tinha que vir manter a segurança interna e participar na escolha do substituto do Presidente.
No governo Kundi Paihama exerceu também as funções de ministro da Segurança do Estado, comissário provincial de Benguela, ministro de Estado para a Inspeção e Controlo Estatal, Conselheiro Principal do chefe do Estado-Maior do Exercito e comandante geral da Defesa Civil, governador de Luanda, governador da Huíla, ministro da Defesa Nacional, ministro dos Antigos Combatentes e hoje governador do Huambo.
O autor do livro, a obra tem como objectivo proporcionar aos angolanos e aos leitores o perfil de um homem, cuja grandeza, autenticidade, capacidade de liderança e heroísmo não deixam duvidas para ninguém.
Outrossim, apresentar aos jovens um modelo de liderança vitoriosa de Kundi Paihama e homenageá-lo pelo seu esforço na vida do país.

Domingos Calucipa | Ondjiva

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