Cynthia Perez, autora de "Música do Coração"

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Cynthia Perez é responsável por estratégias digitais e comunicação offline, na New Media - Grupo Executive. Possui uma licenciatura em Gestão de Empresas e Empreendedorismo, pela Barcelona Business School (United International Business Schools), Espanha. Também conclui um bacharelato em Literatura (curso médio), no Le Petit Collège, em Rabat, Marrocos. Foi a vencedora do 3º Prémio BESA Fotografia 2012. Nasceu em 15 de Outubro de 1988, em Luanda.
Este ano, o INIC - Instituto Nacional das Indústrias Culturais, do Ministério da Cultura, outorgou o galardão da 5ª edição do Prémio Literário Jardim do Livro Infantil à obra "Música do Coração", de Cynthia Yoleni Perez Fung. O jornal Cultura traz ao leitor um pouco da alma desta “menina” sensível e que diz possuir um carácter conciso e objectivo. Mas não tanto, como poderão apreciar, lendo o conto que será reproduzido na coluna Barra da Kwanza, da nossa próxima edição.

Cynthia Perez, autora de
Cynthia Perez, autora de "Música do Coração" "Preocupa-me ver que a figura materna não é reconhecida"

Jornal Cultura – Foi atribuído à sua obra "Música do Coração" o Prémio Literário Jardim do Livro Infantil, “pela criatividade, imaginação e adaptação à faixa etária a que se destina. A obra exalta ainda o amor e a dedicação à Mãe, que se pode transportar para o amor ao Outro”, conforme descreve o comunicado do Instituto Nacional das Indústrias Culturais. É esta a sua primeira obra não publicada? Qual o seu percurso literário?
Cynthia Perez
– Sim, é a minha primeira obra oficialmente publicada. Há alguns anos quis publicar uma colectânea de poemas, mas percebi que ainda não era a altura. Faltava-me ainda maturidade linguística. Esta inclinação para a escrita começou no ensino primário ainda. Lembro-me de escrever muitas cartas. Foi desde sempre a maneira mais fácil e confortável de exprimir as minhas emoções. Comecei a escrever de maneira mais consciente quando descobri a poesia. Gostei tanto do que descobri que escolhi seguir a vertente literária no Ensino Médio. Desde então tem sido um percurso.
"Música do Coração" foi a primeira estória que escrevi – fugindo da poesia – e deu impulso a outras que estão a ser confeccionadas. É um desafio ao qual pensei que pudesse escapar – dado o meu carácter conciso e objectivo – mas a curiosidade e o crescimento têm-me provado o contrário e ainda bem!

JC – Fala, na sua obra, das músicas do coração das mães, de Deus, do dia, dos pássaros, do sorriso das mães, apela à pedagogia do abraço e do carinho familiar, num tempo de extremado materialismo. A Cynthia está preocupada com o rumo que a educação familiar está a tomar em Angola? Porquê?
CP
– Infelizmente, a demonstração de afecto e a expressão sentimental não são uma característica dos africanos. Isso já vem de longe. Se perguntarmos aos nossos pais e/ou avós se alguma vez já disseram aos seus pais: “amo-te”, muito provavelmente a resposta será: “não”. Portanto é um “problema” que é perceptível. Contudo, com o andar frenético da globalização, se não tivermos cuidado, esta situação pode tornar-se mais complicada de se reverter. Preocupa-me bastante saber e ver que principalmente a figura materna não é reconhecida e dignificada como deveria. Preocupa-me ver que uma dor ou uma simples birra é reconfortada com artefactos materiais/ electrónicos. Os sentimentos e emoções, apesar de serem próprios, necessitam de um aprendizado para poder soltá-los e desenvolvê-los e sobretudo discerni-los. Como é que uma criança será capaz de demonstrar afecto se, quando precisou, o abraço e a conversa foram substituídos por um iPad, por exemplo?

JC – E quanto à educação na Escola? Acha que a missão do professor deve cingir-se às matérias leccionadas, ou deve ser, antes de tudo, um exemplo de pessoa moral e ética?
CP –
De maneira nenhuma. Sobretudo nos dias de hoje, com o pouco tempo que temos e que se encurta ainda mais com os percalços rodoviários da nossa cidade, penso que o papel dos professores não deve ser limitado à veiculação do programa escolar. Durante a semana, os alunos acabam por ter uma relação de troca mais próxima com os professores do que com os pais, e um exemplo moral e ético constante é fundamental. Não podemos esperar que este papel seja preenchido apenas pelos pais. Afinal de contas, os professores estão aí para formar cidadãos capacitados e um indivíduo sem moral e ética, para mim, é uma pessoa vazia.

JC – A Cynthia, que trabalha com os média, o que espera para dizer este seu belíssimo livro nos espaços da nossa televisão e da rádio?
CP –
Gostaria que servisse de referência no campo pedagógico e afectivo.
Apesar de ser um livro infantil, não o escrevi a pensar apenas nas crianças. A mensagem principal que é a valorização da mãe, e que acaba por ser transportada para outrem também, é relevante e transversal, para os filhos e para os pais.

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