Djaimilia Pereira de Almeida regressa com uma "história de doença, pobreza e amizade"

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"Luanda, Lisboa, Paraíso", editado pela brasileira Companhia das Letras, é o segundo romance de Djaimilia Pereira de Almeida, que se estreou em 2015 no panorama literário português com "Esse cabelo", um livro reflexivo, mistura de romance e ensaio, de base autobiográfica.

"Luanda, Lisboa, Paraíso", editado pela brasileira Companhia das Letras, é o segundo romance de Djaimilia Pereira de Almeida, que se estreou em 2015 no panorama literário português com "Esse cabelo", um livro reflexivo, mistura de romance e ensaio, de base autobiográfica. Com "Esse cabelo", a autora despertou a atenção de leitores e da crítica para a que parecia uma voz inovadora de uma geração que falava de raça, identidade, género, questionando clichés associados à condição de negritude ou do que é viver num mundo de estranheza seja no lugar onde nasceu, Angola, como naquele onde cresceu e vive, Portugal. Djaimilia foi então comparada a outras escritoras femininas que surgiram nos EUA, Inglaterra, em países de África como a Nigéria ou a Etiópia; mulheres que escrevem desafiando o que se espera delas.
"Luanda, Lisboa, Paraíso", que acaba de chegar às livrarias, conta a história de Cartola de Sousa, parteiro num hospital em Luanda, e Aquiles, seu filho de 14 anos, nascido com um calcanhar defeituoso, que viajam para Lisboa, nos anos 1980, para que o rapaz possa ser submetido às operações e tratamentos médicos que resolveriam o seu problema no pé. Para trás deixam Glória, mãe de Aquiles, doente e imobilizada na cama, entregue aos cuidados da filha, Justina, irmã de Aquiles.
O título do livro traça precisamente o percurso feito por pai e filho, nessa viagem que começou cheia de sonhos, esperança e ilusões, de uma Lisboa mágica que os receberia como portugueses, mas que acabou por ser uma viagem sem regresso, pelos caminhos que conduzem à miséria humana: de Luanda, viajam para Lisboa, onde vivem numa pensão durante os tratamentos ao pé de Aquiles, e, finalmente, acabam a viver no Paraíso, um bairro da lata na margem sul do Tejo.
Aos 36 anos, Djaimilia Pereira de Almeida regressa e conta como é que as personagens da história entraram na sua vida. "Inicialmente apareceu Cartola, ainda em criança, a brincar com o seu pai à beira de um riacho. Interessou-me perceber quem era aquele menino e como tinha sido a sua vida. E então arranjei-lhe uma família". A ideia para o enredo nasceu da "vontade de contar uma história inspirada numa das razões comuns da diáspora africana: a resolução de problemas médicos".
Nesta história, como acontece muitas vezes na vida, o fio condutor é a doença, um tema que é caro à autora e que foi também a base de um pequeno livro que escreveu para a Colecção Retratos da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
A doença "é uma das grandes condicionantes da nossa relação com os outros e da nossa auto-imagem. Nesse caso, escolhi-a, também, porque me interessou pensar sobre o ponto em que a falta de saúde oblitera a identidade tanto do cuidador como do paciente", explicou à Lusa.

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