Duas históricas aulas literárias na FLUL

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Duas memoráveis e muito concorridas aulas abertas aconteceram na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - FLUL, promovidas por Ana Mafalda Leite, Professora Associada com Agregação do Departamento de Literaturas Românicas da supracitada Universidade.

Na primeira, para estudantes – licenciandos e mestrandos –, professores, bibliotecários da Universidade e público interessado nas falas e escritas das literaturas africanas e angolana em particular, estivemos em companhia de Zetho Cunha Gonçalves e de Nok Nogueira com Ana Paula Tavares e Alberto de Oliveira Pinto prestigiando-nos na assistência.

Abordamos questões em torno da História, dos movimentos, correntes e publicações geracionais desde os idos do «Vamos Descobrir Angola» até às Brigadas de Literatura, em que o Nok contribuiu, com uma panorâmica sobre os novíssimos do seu tempo em busca de afirmação, tendo citado os nomes de Décio Mateus, Gociante Patissa, David Capelenguela e Nguimba Ngola, Kiokamba Kassua, Moisés Sandombe, Carlos Pedro e Avó Ngola Avó como sendo alguns dos seus correligionários dentre os quais, em seu entender, alguns prometem «algo algum» para o futuro das belas letras angolanas.

Temos a certeza de que Nok citou-os consciênte de que não deve ser juiz de uma partida onde ele mesmo ainda atua como jogador.

Zetho Gonçalves falou da sua experiência de autor com cerca de vinte livros (de poesia, infanto-juvenis, traduções, antologias e outros...) publicados e desconhecidos em Angola e Portugal pois, maioritariamente, foram editados no Brasil em função das políticas editoriais e da marginalização editorial de alguns autores, principalmente nas terras de Camões.

Na segunda aula, quinze dias depois, no mesmo local, espaço e com a mesma assistência, fizemos a apresentação, por junto e atacado, dos três mais recentes livros de poesia do poeta David Capelenguela que para o efeito deslocou-se a Portugal.

O VÉU DO VENTO, editado pela União dos Escritores Angolanos e acabadinho de chegar aos escaparates das nossas livrarias.

TIPO-GRAFIA LAVRADA e GRAVURAS D’OUTRO SENTIDO, edições da Chá de Caxinde, que neste espaço tivemos já a oportunidade de referenciar.

Depois da nossa intervenção em jeito de apadrinhamento, Capelenguela falou de si e da sua poética.

Da sua infância e juventude, das suas vivências e convivências na região sul de Angola deixando boquiaberta a assistência que, secundando a nossa voz, não hesitou em considerá-lo mais um legítimo herdeiro da dicção antropológico poética de Rui Duarte de Carvalho.

Aconteceu assim o batismo do poeta Capelenguela, tal como já havíamos feito com o Nok, no mesmo local.

De ilustres desconhecidos passam agora a ser jovens poetas conhecidos, queridos, admirados e prontos para os fornos dos estudos das literaturas africanas nos círculos académicos lisboetas.

Remato finalmente, considerando históricas estas duas aulas na FLUL. Ponto final!

Odivelas, Maio/2012

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