"Esse Cabelo" de Djaimilia de Almeida

Envie este artigo por email

Primeiro livro de Djaimilia Pereira de Almeida

Autor, Djaimilia Fotografia: Jornal Cultura

 Djaimilia Pereira de Almeida nasceu em Luanda em 1982 e cresceu nos arredores de Lisboa. É doutorada em Teoria da Literatura pela Universidade de Lisboa. Em 2013, foi uma das vencedoras do Prémio de Ensaísmo Serrote atribuído no Brasil pela revista Serrote, do Instituto Moreira Salles. Fundou e dirige a Forma de Vida, revista do programa em Teoria da Literatura da Faculdade de Letras da Universidade De Lisboa. Trabalha na Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Lançado em Lisboa a 1 de Setembro 2015, ESSE CABELO é a a primeira obra de ficção desta autora, cuja obsessão “são livros de certos autores. [Jean-Jacques] Rousseau, por quem tenho uma fixação completa. Lévi-Strauss, sobretudo os “Tristes Trópicos”. Ou Michael e Anne Dummett. Michael é um filósofo analítico inglês que ficou famoso por estudar a obra de Gottlob Frege – filosofia da matemática e assim. (...) Também a filósofa norte-americana Danielle Allen, que escreveu um livro no qual me inspirei também muito: “Talking to Strangers”. Em português, acrescentaria as “Memórias” do Raul Brandão. Toda a obra é muito importante para mim, mas sobretudo as “Memórias”, pela fusão entre realidade e ficção. Essa confusão interessa-me. Mais um: o autor que estava a ler quando senti vontade de escrever este livro, em 2012. As memórias do Walter Benjamin em Berlim (...)”, confessa a autora em entrevista ao jornal I.
No sítio da LEYA podemos ler: “Esse Cabelo - A tragicomédia de um cabelo crespo que cruza a história de Portugal e Angola” e onde se diz que “esta é a história de uma menina que aterrou despenteada aos três anos em Lisboa, vinda de Luanda, e das suas memórias privadas ao longo do tempo, porque não somos sempre iguais aos nossos retratos de infância; mas é também a história das origens do seu cabelo crespo, cruzamento das vidas de um comerciante português no Congo, de um pescador albino de M’banza Kongo, de católicas anciãs de Seia, de cristãos-novos maçons de Castelo Branco – uma família que descreveu o caminho entre Portugal e Angola ao longo de quatro gerações com um à-vontade de passageiro frequente. E, assim, ao acompanharmos as aventuras deste cabelo crespo – curto, comprido, amado, odiado, tantas vezes esquecido ou confundido com o abismo mental –, é também à história indirecta da relação entre vários continentes – a uma geopolítica – que inequivocamente assistimos.”
“Se não tivesse crescido tendo no meu cabelo um inimigo, não havia livro”, responde a autora, a dado passo da extensa entrevista que concedeu ao jornal I. “Tendo o cabelo sido sempre um enorme problema, vivi-o como um drama interno intenso que se foi transformando também numa comédia, porque a certa altura o cabelo estava tão despenteado que só podia rir, mas era um sorriso no meio de lágrimas. (...) O livro é escrito com a intenção de falar com estranhos e de fazer amigas.”
Noutra entrevista a Ana Maria Simões, Djaimilia Pereira de Almeida
afirma que “o livro é escrito a partir de um ponto de vista de ignorância a respeito da minha origem.”
Quando esta jornalista lhe perguntou: Considera-se escritora?, a autora disse: “Certamente que não. Sinto-me mais confortável a imaginar que escrevi um livro. Não sei se mereço esse título tão imediatamente.”

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos