Ética Profissional de Jornalismo de Gabriel Tchingandu

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O jornalismo tem como vocação máxima o progresso do país

Ética Profissional de Jornalismo de Gabriel Tchingandu

A ética e a deontologia, princípios fundamentais para o exercício de um jornalismo objetivo com precisão e verdade, primados dos quais os jornalistas angolanos e dos demais países do mundo se têm confrontado diariamente na recolha, análise, tratamento e divulgação dos factos suscetíveis de gerarem notícias de interesse público, foi o que motivou o docente universitário Gabriel Tchingandu, a trazer a lume a obra literária "Ética Profissional de Jornalismo", que foi apresentado na sala 205 da Faculdade de Ciências Sociais, no dia 14 de Junho, com a chancela da editora Mayamba, na coleção Kunyonga.

A obra vem enriquecer a pouca bibliografia nacional no ramo das ciências da Comunicação, e despertar na classe jornalística e académica a importância de se encarar com seriedade as questões ligadas à ética na prática jornalística em Angola. "A existência de casos contínuos lesivos à moralidade de se fazer o jornalismo é um fenómeno que requer uma intervenção séria de carácter deontológico enquanto (auto)regulação dos media..." (Tchingandu. 2012. p. 19).

Como reza o primeiro artigo do Código Deontológico (CD), aprovado em 2004 pelas organizações angolanas de jornalistas: "O jornalista deve relatar os factos com rigor e exatidão e interpretá-los com honestidade, dado que o seu compromisso fundamental é com a verdade.

O seu trabalho pauta-se pela comprovação dos factos e a sua correta divulgação, ouvindo sempre as partes envolvidas. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara perante o público" (Tchingandu, 2012, p. 10).

Numa fase em que o país cresce com o surgimento de novos órgãos de comunicação e adesão às novas tecnologias, que facilitam a interatividade e dinâmica na elaboração das matérias, a apuração dos factos e confrontação das fontes (o princípio do contraditório), e o cuidado a ter no discernimento, quando é que se está diante de determinado assunto de esfera pública ou o que o torna de carácter privado? "O jornalista deve ter em atenção se está a fazer jornalismo ou propaganda política", assim defendeu Tchingandu no ato do lançamento da obra, que foi apresentada por Supriano Dembe, chefe do Departamento de Comunicação Social da Faculdade de Ciências Sociais e estiveram igualmente presentes o decano da Faculdade de Ciências Sociais, Victor Kajibanga e Arlindo Isabel, responsável da Mayamba editora.

Tchingandu apresenta-nos nesta obra quatro paradigmas de ética informativa, a saber "Utilitarista, Social, Dialético e Antropológico", paradigmas estes com que alguns jornalistas e comunicólogos se deparam aquando do exercer da profissão, quer pelo contexto como pela circunstância, ao debaterem-se com esta espécie de questões: "Como posso ser moralmente íntegro na minha profissão, se ganho uma miséria?", questionam-se alguns jornalistas, ademais: pode-se realmente "exigir" uma postura informativa ética, numa sociedade desmoralizada e promíscua?" São indagações como estas que o autor não se inquieta em esboçar.

Esta obra vem, certamente, provocar reflexões através de frases usadas nos meandros dos média, tais como "o saco vazio não fica em pé", ou ainda mesmo "aqui não se deve criticar fulano nem sicrano", e mais "quando o dinheiro fala mais alto, a verdade se cala" ao que o autor denomina de «business da verdade».

E deixa claro que "uma empresa mediática que manipula a informação ou abusa das técnicas jornalísticas e normas deontológicas por razões meramente económicas acaba perdendo credibilidade e, por conseguinte, a audiência e/ou leitores diminuem drástica ou paulatinamente". (Tchingandu. 2012. p. 22)

O objetivo da elaboração desta obra, segundo Tchingandu, foi de dar um contributo ao bom exercício da profissão jornalística, por ser um ofício que toca com a honra, o bom nome, com tudo aquilo que uma pessoa foi fazendo durante anos e, se alguém maltratar isso ou desprezar, pode arruinar a vida desta pessoa, ou o que ela fez durante anos.

E o autor adianta que não deve ser só uma questão do saber do dia-a-dia, mas deve ser uma preocupação da vida interior, de querer fazer o bem, de ajudar. O jornalismo tem como vocação máxima, "querer o progresso do país, com a nossa prestação, vontade, virtude, vocação pessoal", arrematou.

O livro, que teve o preâmbulo de Siona Casimiro, conta com 113 páginas, e está dividido em cinco capítulos, nomeadamente: Fundamentos e paradigmas de ética de Jornalismo, A Verdade informativa, A Liberdade de informar e de ser informado, A Justiça e Honra Informativa, Outras virtudes Jornalísticas.

Traz estampada na capa uma mão que segura uma câmara fotográfica, com o foco centrado na captação de imagens. Talvez reforçando a ideia de que "uma imagem vale por mil palavras", quererá o autor, com certeza, deixar evidente, simbolicamente, o poder exercido hoje pela imagem nos audiovisuais, e que, em muitos casos, o que é publicado não passa de uma ponta do Iceberg daqueles acontecimentos, eventos, revelações ou factos em que o "jornalista procura descobrir e fotografar muitos outros e diferentes pontos da mesma realidade, para melhor compreender e difundir tal informação".

No lançamento, o editor Arlindo Isabel defendeu que o livro, por mais científico que seja, é sempre portador de qualquer coisa da cultura do indivíduo que o produz, "é bom que essas coisas agora tenham que ser feitas por nós mesmos, porque estamos a construir a nossa ciência, a nos internacionalizarmos e a afirmarmo-nos também nesta área".

E lembrou a todos os presentes a necessidade daqueles que estão na área de formação a serem sérios e empenhados, porque se não o forem, pensar que a universidade ou faculdade é uma agência de aquisição de diploma e não de conquista, continuaremos a ter problemas.

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