FESPOL 2015: Poesia e Canto à Moda do LEV’ ARTE

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A abrir solenemente a festa da poesia esteve a ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva que saudou o Dia da Poesia.

FESPOL 2015: Poesia e Canto à Moda do LEV’ ARTE
Ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva

No passado dia 18 de Março de 2015, uma companhia poética de jovens entusiastas reuniu-se à entrada da Mediateca de Luanda para participar do acto central de abertura da 2ª edição do Festival de Poesia de Luanda - FESPOL 2015, uma autêntica orgia da palavra proclamada que se alongaria até ao Dia Mundial da Poesia, o 21 de Março, enchendo outros espaços, como a União dos Escritores Angolanos, o Instituto Médio de Economia de Luanda, e o Auditório Pepetela – Centro Cultural Português.
Para este ano, o Movimento literário LEV’ ARTE, raiz do Festival de Poesia de Luanda,criou o tema “Poesia – a arte que comanda a vida” e reuniu no palco poetas de duas gerações.E a comandar a as emoções de todos, surgiu Kanguimbo Ananás, que declamou em jeito de canto versos em homenagem à Mulher ao som do violão. Kanguimbo evocou Njinga Mbandi, Kimpa Vita, “poesia na boca do céu”, “poesia na boca do povo”, “poesia na ponta dos dedos”.
A abrir solenemente a festa da poesia esteve a ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva que saudou o Dia da Poesia como parte das festividades dos 40 anos da independência de Angola. “A poesia de Angola foi e é ainda uma arma de combate pela nossa independência”, frisou a ministra que pediu aos jovens presentes para “fazerem um recuo no tempo” a fim de buscar essa literatura de combate onde a poesia se revelou uma arma portentosa para mobilizar e consciencializar os angolanos. A ministra saudou os “cabouqueiros” que deixaram obras de grande valor, como Alda Lara, Agostinho Neto (Sagrada Esperança), Viriato da Cruz e outros poetas. “A nova geração deve não só declamar, mas sobretudo escrever boa poesia”, referiu Rosa Cruz e Silva.
A poesia entrou pela noite dentro, nas vozes de Leda Makuéria, Lourenço Papo-Seco, e veio vestida de desfile de moda, negra da nossa terra, dizia o verso deste poeta.
A menina Daniela Bernardo mostrou ser dona do seu próprio encanto infantil, ao declamar “eu amo muito a minha mãe”. Áurio Kitanga iluminou o palco e seguiu-se-lhe Nguimba Ngola, com o poema Amiga da Zunga, enquanto que o trovador Vilmar Tembo fazia soar do violão vibrações subliminares. Universo Mavambo declamou Agostinho Neto “Não Me Peças Sorrisos” e depois o palco e a lua ficaram embaladas nas mãos daquela juventude insaciável da palavra florida.
Durante os quatro dias de festa da poesia, o FESPOL mostrou actividades de índole diversa, nomeadamente, recitais de poesia, debates sobre temática literária e social, seminário de escrita literária, exposição fotográfica, concertos musicais, teatro do poema e projecção de filmes biográficos de escritores.
Os filmes destacaram escritores como Manoel de Barros, José Saramago, António Lobo Antunes, entre outros, e foram exibidos na sala de conferências da Mediateca de Luanda. O Auditório Pepetela - Centro Cultural Português acolheu o recital denominado “Há Poesia no Camões”, com participações de Marta Santos, António Gonçalves, Amélia Dalomba e outros escritores angolanos e a portuguesa Teresa Mateus que, não sendo poeta, declamou um poema de Sophia de Melo Breyner, a par dos jovens como Gynosaka, Márcio Batalha, Teodósia Paulo, Kardo Bestilo, Fénix, ao som dos acordes talhados pelas mãos de Vilmar Tembo.
O evento contou com convidados estrangeiros, destacando-se a participação da escritora, actriz e coreógrafa francesa, Sylvie Mombo, com o espectáculo de narração “O Guerreiro de Ébano” para crianças e adolescentes, e com uma exposição sobre a vida e obra de Agostinho Neto na Mediateca de Luanda.

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