Formação Académica: Premissa fundamental para o desenvolvimento de Angola 2. O fantasma do primeiro emprego

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Após a conclusão da licenciatura, os jovens deparam-se com outra consequência da impreparação pré-universitária e da passagem titubeante pelas salas universitárias: o fantasma do primeiro emprego.
Efectivamente, as debilidades com que muitos dos nossos jovens perfazem o percurso académico exaurem o pais de recursos humanos competentemente qualificados.

Formação académica: Premissa fundamental para o desenvolvimento de Angola. 2. O fantasma do primeiro emprego
Alunos numa aula no Bié

Esta realidade é constatável, por exemplo, nas acções de recrutamento levadas a efeito por entidades empregadoras em cujas provas um número considerável de recém-licenciados reprova por revelar insuficiência de conhecimentos exigidos.
Relativamente aos candidatos que conseguem a admissão, duas situações vêm ocorrendo: por um lado, algumas empresas e escolas vêem-se na contingência de muni-los de formação específica tendente a colmatar as suas insuficiências operacionais; por outro, certas firmas nem sequer essa formação específica disponibilizam, preferindo o recurso à qualificação estrangeira, segundo e seguindo o numerus clausus permitido por lei. Ora, esta estratégia empresarial obriga a que as instituições de ensino superior angolanas aprimorem os curricula com vista ao fornecimento ao jovem estudante de um ensino com rigor e qualidade.
Como é óbvio, o retardamento da afirmação profissional do recém-licenciado da azo à frustração pelo consequente retardamento da constituição de um lar, por exemplo.
É igualmente óbvio que todos somos partes actuantes no desenvolvimento do país, que se afirmará maior ou menor conforme a consciência de cada cidadão da necessidade de aperfeiçoar os seus conhecimentos, em ordem ao melhoramento da sua competência técnica e cívica. Daqui resulta a verdade de que um país com mais educação tem menos problemas.
Neste âmbito, uma questão se impõe:
- O que fazer para os nossos jovens chegarem e saírem do ensino superior mais bem preparados?
Deve ser dada prioridade à educação. Por isso, discriminamos algumas medidas que devem merecer a nossa reflexão, enquanto agentes do processo educativo:
- Porque de pequenino é que se torce o pepino, os encarregados de educação devem materializar a dica nº 4, das nove constantes da Gazeta O Jardim, de Dezembro de 2013, do Ministério da Cultura, para as crianças divertirem-se nas férias: «Incentive a leitura durante as férias. A leitura deve ser algo habitual para a criança, por isso mesmo nas férias a criança deve ler. Leve-a a uma livraria para comprar livros e permita que ela escolha livros infantis ao gosto dela.»
- Multiplicação de iniciativas relativas à Política Nacional da Promoção do Livro e da Leitura , de forma a fomentar o acesso de mais crianças, adolescentes e jovens ao livro, contrariando-se, desta forma, quer as dificuldades de leitura evidenciadas por muitas crianças, quer o nível de iliteracia demonstrado por alguns estudantes universitários.
- Disseminação de acções de formação governamentais como a que o Ministério da Educação promoveu em Abril para o Ensino Primário no Cuanza Sul, com o objectivo de dotar os professores, directores municipais da educação, inspectores, supervisores, coordenadores de zonas de influência pedagógicas e subdirectores pedagógicos de magistérios primários de conhecimentos sobre a documentação orientadora da avaliação da capacidade de leitura nas primeiras classes, de potenciar a mestria dos docentes e a gestão dos estabelecimentos de ensino e, finalmente, implementar um método sistemático de avaliação dos estudantes.
- Aprende-se no infantário que a escola é a segunda casa dos cidadãos em fase de formação; logo os educadores são os segundos pais, esperando-se deles a transmissão de valores sociais e morais e conhecimentos científicos. Este comportamento docente redunda num melhor apoio ao aluno e, consequentemente, constitui “meio caminho andado” para uma boa formação do indivíduo.
- Incremento da assistência aos estudantes com debilidades financeiras. Esta medida fará com que estes tenham uma visão do futuro esperançosa, exponenciando-se, deste modo, o orgulho nacional e, consequentemente, o respeito pelo nosso país.
- Em termos de apoio a conceder aos alunos, sublinhamos a sua pertinência em relação aos trabalhadores-estudantes – muitos com famílias já constituídas – que, vivendo numa permanente turbo-aprendizagem, revelam dificuldades em acompanhar o ritmo da leccionação das matérias e em cumprir os prazos para a entrega dos trabalhos científicos.
- Maior empenho por parte dos alunos, quer na assiduidade às aulas e respectivo acompanhamento das matérias ministradas, quer no desenvolvimento do hábito da investigação científica, libertando-se, com este costume, da dependência relativa aos docentes.
- Reforço das aulas práticas, fundamentalmente em cursos com exigência laboratorial.
- Fomento de certames de índole prática nas instalações escolares, como feiras do livro e de profissões, a fim de os alunos não só ganharem o hábito de leitura e de pesquisa livrescas, como também de se animarem com as saídas profissionais apresentadas para o seu futuro próximo.
A propósito de futuro, vivemos numa era de transição da fase da reconstrução para a de construção nacional. Ora, importa que essa construção seja levada a efeito com bases e pilares fortes, que apenas a educação pode assegurar!

Mário  Araújo
(CONTINUA NA PRÓXIMA
EDIÇÃO)

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