Grande Prémio Sonangol de Literatura 2015

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Desvenda `a carta da Mbonga´de Cassamo

Grande Prémio Sonangol de Literatura 2015
Mateus Cristóvão entregando o galardão a Suleiman Cassamo Fotografia: Paulino Damião

"A Carta da Mbonga", romance vencedor do Grande Prémio Sonangol de Literatura, edição 2015, saído da pena do moçambicano Suleiman Cassamo, foi no dia 30 de Março desvendada ao público presente na União dos Escritores Angolanos. Afinal, a tal carta da Mbonga, a menina por quem Betuel Salatiel Marcopolo se apaixonara na infância, em 1973, junto à estação do comboio em Vila Luísa de Marracuene, ficou para sempre interdita à leitura do destinatário. Quem dela se apoderou foi o factor da estação, Alfredo Chirindza, por ciúmes. Salatiel vem a saber desta “traição”, deste crime de violação da privacidade epistolar, vinte anos depois, já de corda ao ombro, pronto para se suicidar, e já a falar com espíritos vários que aportam à estação. Estamos perante um drama, cujo mote, a carta nunca lida pelo real destinatário, serve de motivo para relatar outros acontecimentos, vidas, paisagens feéricas, a dolorosa História de Moçambique. Por isso, “A Carta da Mbonga” configura dois sortilégios, duas mágicas: a da escrita, com a sua subtileza dourada, quase paradisíaca; e a da estória em si, com um narrador heterodiegético, omnisciente e omnipresente, que dialoga com o personagem principal, este também narrador autodiegético. Deste drama intimista, apenas há que recomendar ao autor que, na segunda edição, brinde o leitor com um glossário dos termos locais moçambicanos e retire dele a palavra “inverno” para designar o Cacimbo.
Menção honrosa coube à obra do angolano Fragata de Morais, “A Dança da Cguva”. É esta uma obra que “constrói uma perspectiva crítica do quotidiano. Personagens de várias origens atravessam o texto escrito por quem vive e conhece os dois lados da barricada: o poder político e os governados”, na análise feita por Manuel Muanza, Professor de Literatura no ISCED, Luanda.
Durante a entrega do prémio, por Mateus Cristóvão, director de Imagem e Comunicação da Sonangol, empresa patrocinadora, Cassamo reconheceu que o Grande Prémio Sonangol de Literatura representa uma oportunidade para a valorização das obras e notoriedade dos escritores participantes do concurso. “Este serve ainda de estímulo para todos os escritores dos PALOP, no sentido de se esforçarem e participarem no concurso, com intenção de conquistarem o prémio”.
Instituído em1987, pela Sonangol, o concurso acontece de cinco em cinco anos para distinguir qualitativamente obras literárias ou de investigação de escritores consagrados dos países participantes.
Do grande prémio participam escritores de Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Guiné Bissau, sendo iniciativa do fomento à cultura literária nesses países africanos.

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