II Festlab destaca interdependência entre literatura e desenvolvimento social

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O Centro Cultural Brasil-Angola (CCBA) acolheu nos dias 15 a 18 de Maio o II Festival Literário Luso-afro-brasileiro (Festlab), com a presença de 17 convidados do Brasil.

O Centro Cultural Brasil-Angola (CCBA) acolheu nos dias 15 a 18 de Maio o II Festival Literário Luso-afro-brasileiro (Festlab), com a presença de 17 convidados do Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Logo no primeiro dia do evento, que contou com a curadoria do escritor angolano José Luís Mendonça e da directora do CCBA, Nídia Klein, as problemáticas do acesso, as alternativas de edição e publicação e a tradição oral estiveram em debate. Com a moderação do professor investigador da Universidade Piaget, Pedro Ângelo Ferreira, a editora e jornalista Mirna Queiroz, o escritor António Fonseca e a professora Domingas Monte foram chamados a arrancar o debate no primeiro dia do evento que se estenderia até sexta-feira, 18. O poeta e ensaísta angolano António Fonseca, nascido em 1956, lança o seu olhar sobre a importação, produção, distribuição e comercialização do livro. Ocasião aproveitada para criticar a Pauta Aduaneira que, segundo o escritor, encarece o livro, revelando mesmo uma distorção da política cultural. "O país se esqueceu que a Pauta Aduaneira é um instrumento de política económica e igualmente de execução de política cultural", diz, acrescentando que seria por via deste instrumento que se estimularia a produção local. "Promove-se a importação de determinados tipos de livro em detrimento da produção nacional", acusa, avançando mesmo que se poderá estar a incentivar o surgimento de um determinado imaginário cultural. Antigo director do Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD), António Fonseca, vai mais longe e diz que o problema do livro prende-se sobretudo com a falta de edição e distribuição, já que o país passou de uma realidade em que tinha duas empresas públicas que se encarregavam da produção e distribuição do livro a um cenário de ausência total de incentivo à leitura. O escritor referia-se ao INALD e à Empresa Distribuidora Livreira (EDIL, do MPLA), que, mesmo na altura do conflito armado, garantiam a aquisição e a distribuição de livro em todo território nacional. "E nessa altura lia-se muito e em todo sítio: na escola, na praia, em casa, nos quartéis...", conta. Na base deste cenário poderá estar aquilo que António Fonseca chama "ideia errada do que é a democracia" ao retirar o Estado do mercado. "Há funções que o Estado deve continuar a exercer enquanto o mercado não funcionar adequadamente", atira. Bastante crítico do incumprimento da Lei de Promoção do Livro e da Leitura, António Fonseca reafirma que o Estado não deveria abandonar completamente o sector a fim de se estimular uma economia da cultura. E nisso aponta igualmente o dedo ao empresariado local. "É necessário haver empresariado que pensa no livro, na sua dimensão económica, desde a edição à distribuição", diz, apelando inclusive a aposta da banca que, explica, não cria uma única linha de crédito que favoreça o surgimento da indústria do livro. Com efeito, assim como António Fonseca, a escritora Cremilda de Lima também vê as graves consequências do incumprimento do Programa Nacional de Leitura, e uma delas é certamente a falta de hábito de leitura dos estudantes e do público em geral. Ao intervir, no meio da vasta plateia, a autora de livros infantis diz mesmo que a maioria das pessoas não lê, porque os livros são caros ou por falta de hábito de leitura. Por esta razão, questionou os prelectores sobre as razões de não ter sido implementado o Programa Nacional de Leitura, preocupação que viria a ser reforçada e direccionada à secretária de Estado da Cultura, Maria de Jesus da Piedade, pelo escritor e curador do evento, José Luís Mendonça, para quem a situação é tão grave que há estudantes universitário que não lêem um único jornal o ano inteiro. Já o moderador do debate, Pedro Ângelo Ferreira, ergue um livro em vários suportes, em papel, em áudio e vídeo. Faz igualmente o apelo à leitura. E fá-lo vivamente, em pé: "A utilidade do livro e, por maioria de razão, da biblioteca só se revela no momento em que a palavra encarcerada se solta, e liberta e passa a fazer parte do património de cada um". Daí a complexidade da leitura. O investigador do Gabinete de Línguas do Centro de Investigação e Inovação do Departamento de Estudos Avançados da UNIPiaget recua até Quintiliano, professor de retórica e filólogo, que nasceu em Calahorra no ano 35 e morreu em Roma no ano 96 da nossa era. "Quintiliano deixou escrito aquilo que se pode catalogar como uma filosofia da leitura, baseada numa aprendizagem sem pressa. Já cordeiro da Mata na sua colecção de provérbios, há um em quimbundo que diz «que quem ensina a andar uma criança não se deve apressar»", diz, explicando que Quintiliano e o Mata estão na mesma onda pedagógica. Aproveitando o painel de convidados, o moderador deixou a questão: "Que outros valores estão a tomar o lugar do livro". Pedro Ângelo Ferreira revela que é levado a pensar no suporte digital para substituir o contentor de palavra que é o livro. "Estou a ver uma central de produção de conteúdos a alimentar 10 milhões de "tablets" nas mochilas dos alunos em vez dos 50 milhões de livros e outros tantos milhares de cadernos todos juntos a pesarem 55 toneladas nas costas dos nossos filhos, netos e bisnetos", diz o professor investigador, erguendo um livro que carregava nos formatos áudio e em papel. A vasta plateia aplaude a ideia. E a correspondência viria do Brasil. "A Internet hoje oferece um ambiente híbrido à leitura", diz Mirna Queiroz, jornalista e editora brasileira, que é a fundadora e editora da revista digital de literatura fundada em 2010, em São Paulo, e que se destaca no incentivo ao hábito de leitura e difusão da literatura de língua portuguesa. Mirna Queiroz garante que o livro digital é um suporte que não deve ser ignorado. E o livro digital leva algumas vantagens, nomeadamente, ausência de custo de impressão, logística, papel, gráfica e distribuição. Os custos principais da tradição editorial, como revisão de texto e arte de capa, ficam mais alocados na despesa do impresso, enquanto o digital tem custos de conversão, de administração de plataforma, entre outros. De acordo com os dados disponíveis no Brasil, 6,89 por cento das unidades comercializadas pelas editoras de interesse geral em 2016 eram livros digitais (e-books), o que representou 3,16 por cento da facturação das empresas do sector. Mirna Queiroz conta que, a sua revista digital, teve de Janeiro a Maio deste ano cerca de 100 mil visitantes (número de vezes que uma página da Internet é visualizada, considerada medida importante para avaliar a audiência de um sítio). "Não podemos olhar o fenómeno com preconceito, pois quando surgiu a prensa do alemão Johannes Gutenberg, por volta de 1450, houve uma expansão do livro e aquilo também era considerado uma aberração", explica. Licenciada em Línguas e Literaturas Africanas e mestre em Estudos Literários Culturais e Interartes, Domingas Monte valoriza os diversos "suportes" do livro, nomeadamente em papel, digital e áudio, tudo para o bem da leitura, pois só essa interessa. "A leitura acaba por ser tão importante que todos suportes são necessário para a sua promoção", avança, descrevendo as vantagens da leitura na vida pessoal, na capacidade intelectual e para a cosmovisão. A escritora e professora universitária chama ainda para si o tema "tradição oral e contação de histórias (leitura dramática, teatralização e musicalização) como gatilhos para o despertar para a leitura" e revela a importância da valorização da literatura oral. No segundo dia do evento, o painel sobre Literatura Infantil teve como moderadora a directora do Camões-Centro Cultural Português, Teresa Mateus. Os debates foram conduzidos pelo escritor angolano Hélder Simbad e os brasileiros Marta Costa e Felipe Fortuna, que abordaram os temas “Equívocos derivados da iliteracia literária”, “Literatura ou notícia moralista?”, “O fascínio da ilustração: técnicas, tendências, equilíbrio entre texto e imagem e convergência etária” e “Literatura infanto-juvenil: um género esquecido?”. No mesmo dia, à tarde, o painel sobre O livro como ferramenta dialógica inter-geracional”, contou com as intervenções de José Luís Mendonça, Lopito Feijóo e a brasileiro Josélia Aguiar. “Livro e tecnologia” foi o painel para o terceiro dia do Festlab, cujos temas foram: “Criação de uma rede de agentes culturais e recursos electrónicos literários na CPLP”, “A tecnologia como aliada aos meios tradicionais de criação literária contemporânea – impactos e adaptações” e “Difusão literária – novas perspectivas – rádio, gadgets, aplicativos, áudio-livros”, moderação de Nidia Klein, directora do CCBA, e participaram os escritores moçambicano Mbate Pedro, santomense Orlando Piedade e o brasileiro Felipe Fortuna.

DIÁLOGOS SOBRE O QUE NOS UNE E NOS SEPARA
Existirá uma interdependência entre Literatura e Desenvolvimento Social? A primeira resposta a esta questão coube ao moderador do último dia de debate do II Festlab. Para lá da alma do livro, o escritor José Luís Mendonça realça uma dimensão fundamental do livro, o de mediador da cooperação. Entre povos e entre sectores. O curador do evento resgata a mensagem da directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, por ocasião do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, assinalado a 23 de Abril, para lembrar que o livro é um "símbolo de criatividade, que permite a partilha de ideias e conhecimento, transpondo fronteiras e fortalecendo o entendimento mútuo e o diálogo". Diálogo esse que juntaria naquela noite porta-vozes que transpuseram fronteiras. Flávia Amparo, do Brasil; Maria João Cantinho, de Portugal; Abraão Vicente, de Cabo Verde e Ondjaki, de Angola, procuram pelo diálogo olhar para "O que nos une e o que nos separa enquanto Literatura em Língua Portuguesa" e revisitar "O papel da literatura e do escritor na construção de um diálogo transversal entre os povos falantes do português". O escritor e artista plástico cabo-verdiano Abraão Vicente antecipa-se no diálogo da transposição de fronteiras e agradece pela aproximação a Angola intermediada pelo Brasil, numa referência ao Centro Cultural Brasil-Angola, que acolhe o evento. Na dupla condição de ministro da Cultura e das Industrias Criativas do seu país e escritor, Abraão Vicente, de 38 anos, não separa o povo do seu contexto. "Falar de um povo como único e homogéneo, com as mesmas condições de acesso e fruição da literatura e da cultura acaba por limitar as próprias condições de análise", diz o escritor, para quem antes de dar uso aos livros, é necessário dar acesso aos livros. E por essa via, Abraão Vicente, retoma a questão da política da promoção do livro e da leitura nos países de língua portuguesa. Uma promoção que só aceita se for pela diversidade. "Precisamos de promover não só os nossos autores, mas também os de outros países". Sociólogo de formação, Abraão Vicente lembra que Cabo Verde nasceu como "um povo de mistura" da África, Europa, América e Ásia, para justificar, enquanto ministro, que não concebe uma política da cultura que pode aproximar os povos se não houver presença equitativa entre os autores nacionais e estrangeiros. "A literatura aproxima os povos? Sim, tem aproximado. Principalmente a nossa literatura musical, aliás, a que mais promove Cabo Verde", diz, chamando os exemplos da Cesária Évora, Lura, Tito Paris, entre outros. "É apenas parte da nossa literatura", ressalva. Contudo, questiona: "Conhecemo-nos o suficiente para nos aproximarmos através da literatura?" Abraão Vicente cita Ondjaki, Mia Couto, Ana Paula Tavares, que são conhecidos em Cabo Verde, mas questiona se as suas obras são conhecidas o suficiente para se poder dizer que "essa" literatura aproxima os povos. O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, cujo país assume a presidência da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), sob o lema "Cultura, pessoas e oceanos", aproveita para realçar que a CPLP é um espaço por se concretizar. "É um espaço de memória, de afectos e de história, mas não conseguimos ser um espaço efectivo onde as pessoas partilham economia, conhecimento e, principalmente, onde as pessoas possam circular", diz, lembrando que, enquanto houver barreiras à circulação de pessoas e bens, haverá sempre dificuldade na comunicação. "Precisamos de romper as barreiras", diz, esclarecendo que até "podemos ser utópicos, mas só a literatura não chega para aproximar os povos, tal como só a música não chega, ou a cultura em si..." Como resposta a esse desafio, Abraão Vicente adianta que, durante a presidência da CPLP, a proposta do seu país é dar passos importantes na mobilidade e livre circulação de pessoas e bens. "É um primeiro passo para haver integração". Numa primeira fase propõe-se a livre circulação de artistas e de bens culturais. Na sequência, José Luís Mendonça viria a propor uma plataforma electrónica para a disponibilização de obras dos autores de língua portuguesa, a fim de garantir maior acessibilidade aos jovens e não só, que hoje se debatem com a falta de hábito de leitura ou mesmo o simples desconhecimento de autores africanos. Na qualidade de moderador, o escritor José Luís Mendonça, acompanha as propostas de Abraão Vicente quanto à livre circulação de artistas e bens culturais, ou mesmo quanto ao reforço da cooperação entre os países africanos de expressão portuguesa. O curador do II Festlab vai mais longe e propõe mesmo um prémio literário na comunidade dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Segundo o poeta, o proposto prémio pode levar o nome da escritora e poetisa são-tomense, autora do Hino Nacional, Alda do Espírito Santo, numa necessidade que se impõe de contrapor o Prémio Camões , instituído pelos governos do Brasil e de Portugal em 1988. "Os países podem contribuir financeiramente para o prémio em função do peso económico", disse.

CONSTRUÇÃO DE NOVAS PONTES
Para essa "nossa imensa capacidade de construir pontes", como diz Abraão Vicente, é chamada Maria João Cantinho, escritora portuguesa, que não perde a oportunidade e lembra mesmo que, em relação às propostas do ministro cabo-verdiano, Portugal e Brasil têm grandes responsabilidades. "Portugal por ser o país da língua-mãe e o Brasil por ter essa capacidade aglutinadora, por ter mais falantes da língua portuguesa do qualquer um dos outros países". Nascida em Lisboa, em 1963, Maria João Cantinho, que é doutorada em Filosofia, vê uma "óbvia" interdependência entre Literatura e Desenvolvimento Social. "Não podemos continuar na posição de escritores que escrevem para servir-se a si próprio", diz, advogando o papel dos artistas no compromisso com uma sociedade melhor. Detentora de uma obra dividida entre o ensaio e a poesia, e ambas reconhecidas, Maria João Cantinho explica que não se trata de "fazer panfleto político ou andar a fazer campanhas", trata-se de construir acessibilidades. "Vejo cada vez mais escritores preocupados com o seu umbigo", atira, sem receio de ser politicamente incorrecta. "Estão menos preocupados com a sociedade em que vivem. É dramático. Não tomam posições sobre nada".
Já a professora de Literatura Brasileira, Flávia Amparo, prefere dizer "sim e não" à interdependência entre Literatura e Desenvolvimento Social. "A literatura é por si só paradoxal", começa por dizer. Flávia Amparo cita o exemplo do escritor brasileiro João Guimarães Rosa (1908-1967), bastante apreciado em vários países, sobretudo por escritores politicamente activos, mas que, entretanto, foi acusado de ser um autor "pouco engajado" no Brasil. "Preocupou-se mais com a questão estética do que propriamente com o desenvolvimento social, ou questões sociais", diz. Mesmo descurando as questões sociais e valorizando sobremaneira a questão estética, a obra de Guimarães Rosa foi altamente difundida em todo o mundo, rompendo as fronteiras e sendo levados, por outros escritores, para países que enfrentavam uma problemática social semelhante com a brasileira, como Angola e Moçambique, tendo influenciado as obras do escritor angolano Luandino Vieira e do moçambicano Mia Couto. "Luandino estava preso quando começou a ler a obra do Rosa, que foi libertadora, embora o autor não tivesse essencialmente essa preocupação". Quanto à aproximação entre os povos, Flávia Amparo faz referência ao impacto da Lei 10.639/03, alterada pela Lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio. Ao ressaltar a importância da cultura negra na formação da sociedade brasileira, para lá do recorrente tema da escravidão negra africana, Flávia Amparo explica que o impacto "é surpreendente". Doutora em Literatura Brasileira, especialista na poesia de Machado de Assis, Flávia conta que, desde a aprovação da lei, só sobre a Angola, estão registadas na base de dados 92 teses sobre diversos temas, desde a literatura à medicina, passando pelas ciências sociais. Neste período, 15 autores angolanos já foram estudados em diferentes teses de universidades brasileiras, de Norte a Sul. Entre os angolanos o destaque vai para Pepetela, com 11 pesquisas nos últimos seis anos. Já Mia Couto, no rol dos países africanos de língua portuguesa, lidera as pesquisas com 25 teses no mesmo período. "A lei tem uma penetração muito lenta, mas sem dúvida foi de grande relevância". Ondjaki, um dos 15 escritores angolanos que tem sido estudado nas universidades brasileiras, explica que há ainda muito por se fazer para construção do diálogo ou de pontes. O escritor diz que do lado pessoal, ou melhor dos povos, só existe fraternidade, abraços, amizades e afectos. "O que falta? Falta diálogo institucional", numa referência à proposta livre circulação de artistas e bens culturais. "Nós os cidadãos já nos entendemos. Só faltam os políticos", diz, dirigindo-se, sorridente, ao amigo e antigo colega Abraão Vicente. Autor de "Os Transparentes", Prémio Saramago, Ondjaki rejeita a ideia de que escreve na língua do colonizador, numa resposta aos que ainda recusam as diferentes vertentes da língua portuguesa. "Escrevo na língua que me ensinaram no meu país. Na minha língua portuguesa. É preciso que se respeite as variantes, pois há sim línguas portuguesas". Recorrendo a uma frase de Mia Couto (para a qual pede atenção para que não se confunda com a de Fernando Pessoa), atira: "A minha pátria é a minha língua portuguesa". Já a directora da revista digital de letras "Caliban", Maria João Cantinho, vê a beleza da diversidade. "Acho uma delícia a diversidade. A diversidade é que mantém a força da língua portuguesa", reforça, e diz que é imperioso que se valorize a beleza da heterogeneidade, numa referências às diferentes variantes da língua. "Os escritores que eu mais admiro nem sequer são portugueses, são brasileiros. E um português dizer isso é quase uma heresia", arrisca, chamando os exemplos de Guimarães Rosa e Clarice Lispector. "É um prodígio o que eles fazem com a língua".

GASPAR MICOLO





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