Língua portuguesa: Potencial económico

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O escritor analisou a terminologia própria de certas actividades económicas inseridas no rejuvenescimento ou renovação bantu da língua oficial por necessidades mercantis – interpenetração dos idiomas.

Língua portuguesa: Potencial económico
Sessão de abertura Fotografia: Zouitni Houssaine

As autoridades públicas portuguesas, brasileiras ou angolanas têm a percepção da importância do português como língua global? O que podem fazer externamente pela sua promoção? Esta foi a pergunta muito pertinente que Fernando Luís Machado, vice-reitor do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, colocou na mesa redonda subordinada ao tema “O Potencial Económico da Língua Portuguesa", evento realizado pela primeira vez em co-parceria com as embaixadas de Angola, Brasil e Portugal, no dia 5 de Maio (dia da língua portuguesa e da cultura da CPLP), em Rabat, capital do Marrocos. Aquele investigador português concluiu em Marrocos que “a língua portuguesa detém um potencial económico ainda por explorar e que alta na CPLP uma política integrada para a língua portuguesa virada para o mundo.” Na mesa-redonda falaram também o representante do pais anfitrião, Abdesslam OKAB - Director Adjunto do Instituto de Estudos Hispano-Losófonos de Rabat e o autor destas linhas, por Angola.

Para Abdesslam OKAB, falar do valor económico duma língua super-central, como o português, supõe que admitimos já o facto de que as línguas como meios de comunicação humana são utilizadas nas actividades económicas de venda e compra, o que significa, em outras palavras, que as relações económicas foram desde sempre o motor das relações inter-humanas. Daí a necessidade de aprender línguas estrangeiras para a comunicação entre diversos povos que uma língua franca não pode cobrir por si só.
Por isso, o prelector observou a procura do português em Marrocos, em termos de mercado de trabalho, e concluiu que as perspectivas da valorização efectiva desta língua recente inserida no ensino marroquino existem e continuarão a crescer, porque Marrocos desfruta duma maior estabilidade e de possibilidades económicas de mais longo prazo.
O representante de Angola salientou que, em Angola, verifica-se o fenómeno da dupla persistência da memória verbal euro-africana ou bantulusófona, decomposta em dois vectotres: o da intercompreensão das línguas e o do plurilinguismo, ambos relativamente dicotómicos, mas que representam factores de enriquecimento das Línguas e da Cultura do espaço da CPLP, a serem protegidos e valorizados.
O escritor analisou a terminologia própria de certas actividades económicas inseridas no rejuvenescimento ou renovação bantu da língua oficial por necessidades mercantis – interpenetração dos idiomas. “O imaginário popular responde, assim, à necessidade de nomear novas profissões e actividades e até mesmo produtos importados ou recriados pelos agentes do mercado informal. É o caso de ‘magoga’ – sandes de frango frito condimentado com maionese, ketchup, repolho, a 100 kz. Alguns anos atrás, quando surgiram no mercado angolano os primeiros telemóveis robustos e com antena exterior, esta mesma sandes chamava-se ‘motorolla – sandes simples de perna de frango frito com a perna a sair do miolo do pão (a imitar os primeiros telemóveis que surgiram em Angola, a 50 kz.)”
Para a sessão inaugural, estiveram como convidados de honra o Reitor da Universidade Mohammed V de Rabat, Saaid Amzazi, os Embaixadores de Portugal, Maria Rita Ferro, do Brasil, Frederico Meyer, e o Encarregado de Negócios da Embaixada de Angola, Eduardo Neto Sangueve.
O evento reuniu estudantes marroquinos do Instituto de línguas, os africanos do mundo lusófono e docentes universitários.
Uma Exposição de livros dos países organizadores, degustação de especialidades culinárias, uma representação teatral e um sarau cultural, onde os jovens dos diferentes países da CPLP e os estudantes da língua portuguesa em Marrocos exibiram os estilos folclóricos de cada região.

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