Literatura angolana no espaço ibérico

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Quando, em Fevereiro de 2008, o romancista Pepetela e a poetisa Ana Paula Tavares foram entrevistados no âmbito das Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim, em Portugal, ambos já implicitamente concordavam que a literatura joga um papel decisivo na divulgação e promoção de Angola.

Literatura angolana no espaço ibérico

Também, essa filosofia tem norteado as acções da direcção da União dos Escritores Angolanos (UEA) que, segundo o seu secretário Geral, António do Carmo Neto, “a diplomacia cultural, através da literatura, é um objecto de imensurável valor para se projectar a imagem de um povo, suas raízes e seu país para lugares e dimensões inimagináveis e nada mais apropriado do que aproveitar as Correntes d’Escritas, o maior evento literário em Portugal”.
Falando numa curta entrevista sobre o seu romance “Predadores”, obra finalista do concurso literário das Correntes 2008, Pepetela reconhecia que o seu livro era uma tentativa de retratar uma parte da sociedade angolana.
Por seu lado, Ana Paula Tavares revalorizava a travessia por um período de mudanças, em que a mulher, como força activa de trabalho, sobretudo na agricultura, teve na guerra um factor de protagonismo social, pois começaram a ocupar escolas e universidades.
Na ocasião, e falando para escritores e leitores provenientes de países e continentes onde se falam as línguas portuguesa e espanhola, desde a Península Ibérica, passando pela América Central e a do Sul à África lusófona, os dois escritores angolanos conciliavam o prazer da arte com a projecção da imagem do seu país, Angola.
Na verdade, essa tem sido a visão de representantes de muitos países participantes desde o primeiro encontro, realizado em Fevereiro de 2000, ano em que se assinalou o Centenário da Morte de Eça de Queirós, nascido naquela cidade portuguesa. A confirmar isso mesmo, Manuela Ribeiro, pelo Gabinete de Projectos Culturais do Cine-Teatro Garrett, sobre as Correntes disse:
“Surpreendentes são as mesas que reúnem escritores a debaterem os temas mais inesperados e para os quais apresentam as mais impressionantes comunicações. Livros, conversas, debates, autores, público, leituras. De 25 a 28 de Fevereiro. Centenas de pessoas aguardam, com ansiedade, este momento que a todos envolve num só fim: a literatura”.
É nesse espaço privilegiado de potenciação da tradução de livros em português para espanhol e vice-versa, como "mesas" de debate e visitas às escolas, que a União dos Escritores Angolanos elegeu para, mais uma vez, privilegiar a divulgação da literatura angolana, no meio de dais de meia centena de escritores, que se vão reunir na Póvoa de Varzim, durante quatro dias (25 a 28 de Fevereiro), naquela que é já a 16ª edição do Correntes d’Escritas, um encontro de Escritores de Expressão Ibérica.
Convidada a participar nas Correntes, a delegação angolana, chefiada pelo secretário-geral da UEA, o escritor Carmo Neto, transportará, para a sala de actos do Cine-Teatro Garret, os 40 anos da história da literatura angolana, em alusão ao 40º aniversário da independência nacional e o da fundação da UEA, um percurso que culminará com um debate com estudiosos, leitores e estudantes de várias partes do mundo interessados na literatura angolana contemporânea.
Paralelamente a esse evento, o representante da UEA procederá, igualmente, a entrega de livros de escritores angolanos, sobretudo antologias traduzidas em árabe, inglês e italiano, ao Centro de Estudos Comparados da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e ao Instituto Universal de Literatura, instituições onde se projecta, com a Professora Helena Boesco, o estabelecimento de parceria sobre o estudo da literatura angolana.

CORRENTES EM TORRENTES

Segundo a organização do evento, depois do sucesso que marcou a edição dos 15 anos, em 2014, a grande novidade deste ano será o local de realização do evento. Será no Cine-Teatro Garrett que tudo acontecerá, conferindo nova dinâmica e vida cultural ao centro da cidade.
A nova sala de espectáculos irá acolher as mesas, os lançamentos de livros, sessões de poesia, teatro, cinema, uma exposição e ainda a Feira do Livro.
“O momento de maior suspense do certame é a revelação do Prémio Literário Casino da Póvoa, que vai acontecer, como habitualmente, na Sessão de Abertura, no dia 26 de Fevereiro, no Casino da Póvoa”, disse Manuela Ribeiro pela organização.
O referido prémio tem o valor de 20 mil euros e ao vencedor é também oferecida uma réplica da lancha poveira, símbolo da cidade e do mar entre os diferentes povos. A obra premiada é escolhida por um júri Ibero-Afro-Americano entre dez obras finalistas, que por sua vez, foram seleccionadas a partir de centenas de obras recentemente editadas. É também atribuído o Prémio Correntes D'Escritas/Papelaria Locus para jovens escritores entre os 15 e 18 anos.
Entre os escritores que já arrebataram o trofeu, assinala-se o angolano Ruy Duarte de Carvalho, com a obra em prosa “Desmedida”, em 2008.
Na presente edição, o corpo e juradoa do qual faz parte a poetisa angolana Ana Paula Tavares, seleccionou 13 livros finalistas de uma lista de cerca de 80 livros de poesia
Há ainda os prémios literários Correntes d’ Escritas Papelaria Locus (poemas inéditos de jovens com idades entre 15 e os 18 anos, de países de expressão portuguesa), Conto Infantil Ilustrado Correntes d' Escritas/Porto Editora (dirigido aos professores e alunos do 4.º ano de escolaridade do Ensino Básico) e Fundação Dr. Luís Rainha Correntes d’ Escritas (destinado a trabalhos – romance, contos ou poesia – cuja temática seja a Póvoa de Varzim).

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