Lusofonia O nosso parecer sobre Ensaboado & Enxaguado – Língua Portuguesa & Etiqueta

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À abrangente bibliografia sobre os erros mais frequentes da língua portuguesa publicada no Brasil e em Portugal, junta-se a primeira contribuição de Angola nesta área sob o título Ensaboado & Enxaguado – Língua Portuguesa & Etiqueta, de José Carlos de Almeida. Embora seja jurista, licenciado em Direito pela UAL de Lisboa, e se apresente como «não formado em Língua Portuguesa», o autor foi docente do ensino secundário e é actualmente docente da Universidade Lusíada de Angola.
Na parte central do livro, são expostos os erros de português mais frequentes sob a forma de pergunta e resposta, com a particularidade de o corpus apre-sentado reflectir as práticas dos falantes angolanos: «suar o nariz ou assoar o nariz», «caloriar ou transpirar», «posto de luz ou poste de luz».
O carácter didáctico deste livro está evidente nos pequenos diálogos que acompanham as explicações dos erros, centradas mais em desfazer os equívocos dos falantes do que numa explanação gramatical, ou na secção sobre a redacção de requerimentos, declarações e cartas. Mesmo outras secções da obra mais técnicas, como aquelas que versam sobre alguns aspectos gramaticais da língua portuguesa e os diferentes tipos de frase, revelam o fim pedagógico do livro, com sugestões sobre o uso correcto da língua portuguesa.
O título, explica o autor numa entrevista, vem do uso errado do verbo ensaboar com o sentido de «tirar o sabão», que é, na verdade, o significado do verbo enxaguar.
Ponto negativo: a bibliografia referenciada pelo autor está aquém do que é esperado neste tipo de obras, até por uma questão de informação a quantos querem saber mais e consultar outras referências sobre a língua portuguesa(1).

Lusofonia O nosso parecer sobre Ensaboado & Enxaguado – Língua Portuguesa & Etiqueta
José Carlos de Almeida

Depois de ler, o Ensaboado & Enxaguado – Língua Portuguesa & Etiqueta, excelente e lúcido trabalho de José Carlos de Almeida sobre o uso correcto da língua portuguesa, obra com a qual aprendemos que lagrimar não existe em português, resolvemos, como mero e eterno aprendiz da língua portuguesa, expressar o nosso humilde e despretensioso parecer sobre o livro, sem nenhum objectivo, é claro, de causar polémica ou mal-estar, mas tão-somente no intuito de contribuir.
Saiu, finalmente, o Ensaboado & Enxaguado – Língua Portuguesa & Etiqueta e, com ele, saíram também algumas bobagens, alguns contra-sensos e várias inépcias. Por exemplo: diz-se que o verbo lagrimar não existe [p. 73].
E os indefesos leitores acreditam!...
O verbo LAGRIMAR está realmente dicionarizado - o que não quer dizer que se use com frequência.
Não é porque alguém pisa na lama que, nós, atrás, vamos ter de pisar também. O Mário lagrimou. Elas lagrimaram muito.
Agora, só para ilustrar, vejam frases em que se vê o verbo lagrimar, extraídas de obras de escritores consagrados:
Levanta as mãos, como ele levantava; /E vendo-o lagrimar, também chorava.
(Santa Rita Durão, Caramuru, p. 52.)
Lagrimava primeiro; dava o exemplo da sensibilidade.
(Camilo Castelo Branco, Vulcões de Lama, p. 135.)
O 'verbo' está nas ruas, na boca de qualquer um, nos media, nas obras, na Internet. Para o Ensaboado, todavia, não existe. Nós, então, vamos deixar de usá-lo? Muito pelo contrário.
Sem embargo das minhas profundas e muito bem lançadas razões, trazemos, a título de argumento razoável, um interessante parecer sobre o assunto. Um dos mais conceituados e respeitáveis consultores linguísticos do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa – CARLOS ROCHA – acerca da palavra LAGRIMAR afirma:

«O verbo lagrimar, «derramar lágrimas», está realmente dicionarizado — o que não quer dizer que se use com frequência. Encontra-se em dicionários elaborados em Portugal — por exemplo, o Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora — e o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa — e no Brasil — como o Dicionário Houaiss e o iDicionário Aulete —, mas em todos eles, lagrimar é remetido para lacrimar, o que deixa supor que esta última é considerada mais corrente. Existe também a forma verbal lacrimejar, que significa, além de «derramar lágrimas», «deitar algumas lágrimas» e «choramingar», e tem por variante lagrimejar, que é menos usada (cf. idem).».
Lagrimar, lacrimar, lagrimejar ou lacrimejar? Todas as opções são possíveis na língua portuguesa, havendo variedades que preferem umas a outras, mas sem que nenhum des-ses verbos esteja incorrecto, como  recorda Edno Pimentel em crónica publicada em 14/11/2013 na  sua coluna "Professor Ferrão", do nosso semanário Nova Gazeta.

Bom-senso e mau-senso
Perdoem-me, mas eu tenho que denunciar os erros, equívocos e lacunas que encontro nos nossos livros didácticos. Porque um livro didáctico, para mim e para boa parte de todos os angolanos, é coisa séria. Parece, no entanto, que, de uns tempos para cá, um pouco da indispensável seriedade dos livros didácticos desapareceu.
Confesso que estava ansioso pela publicação do Ensaboado & Enxaguado – Língua Portuguesa & Etiqueta, porque achava que, por ser a primeira contribuição de Angola à abrangente bibliografia sobre os erros mais frequentes da língua portuguesa publicada no Brasil e em Portugal, José Carlos de Almeida iria, finalmente, resolver o caso de os Palancas Negras (que é a correcta designação da nossa selecção masculina de futebol, mas ele prefere a errónea designação as Palancas Negras [pp. 90-91]) e o caso de dan-çar bem e dançar muito. Incompreensivelmente, vê-se na obra dançar bem a par de dançar muito [pp.40-41] (se houvesse argumento razoável, teria de dizer que ambas são correctas) e nada de somente dançar bem. Mas não, preferiria enveredar pelos meandros escuros e formidáveis da insensatez.
Peço licença... para corrigir:
Depende do que se pretenda dizer:
A Beatriz dança bem. = A Ana sabe dançar.
A Beatiz dança muito. = A Ana costuma dançar regularmente.
Aguardava ainda eu a publicação do Ensaboado & Enxaguado – Língua Portuguesa & Etiqueta para ver se solucionaria a dúvida sobre a grafia de Njinga (que assumo inteiramente no meu PRÓXIMO ARTIGO). Mas lá não se vêem nem Njinga nem muito menos Mbanza, que são estabelecimentos corriqueiros, encontrados a cada livro dos nossos autores.
Tudo isso — perdoem-me a comparação, tão chã — mas tudo isso me faz lembrar o saudoso Chacrinha, cujo mote alguns conhecem ou haverão de lembrar: Eu vim para confundir, e não para explicar.
A partir de agora, temos mais uma novidade: frauda não existe [p. 113]. Mas o autor do Ensaboado & Enxaguado – Língua Portuguesa & Etiqueta, dando uma demonstração inequívoca dos seus equívocos, garantiu por e-mail a um aluno meu que se diz (de boca cheia) admirador de José Carlos de Almeida  também a existência da palavra frauda e, como num acto de confissão de incompetência, não explicou que frauda é a 3.ª pessoa do singular do PRESENTE DO INDICATIVO do verbo FRAUDAR.
Gostaria que esse aluno estivesse vivo, para lhe perguntar: Estaria interessado em reen-caminhar o e-mail do Prof. José Carlos de Almeida?
Se eu professasse o espiritismo, numa sessão qualquer, tentaria manter contacto com o espírito do homem e fazer a pergunta.
O contacto só será possível quando eu professar o espiritismo numa sessão qualquer. Como nem os meus irmãos nem eu professamos o espiritismo, a solução poderá ficar para as calendas gregas.
E a inépcia do registo de espinha, a par de “pinha” [p. 65], continua.
Senhor, ambas as formas existem. Apenas não espinha. Não existe “pinha” em lugar nenhum do mundo, senhor? Senhor, bom-senso(2) é fundamental! Não se deixe nortear pelo mau-senso!
Senhor autor do Ensaboado & Enxaguado – Língua Portuguesa & Etiqueta, preste atenção!
Ora, é óbvio que existe. Milhares de falantes a empregam. Tanto que o autor os corrige. José Carlos de Almeida é como aqueles filósofos a quem Galileu pediu para verem as luas de Júpiter em seu telescópio e respondiam que, se Aristóteles não falava das luas, então elas não existiam. Pode-se dizer que pinha não é forma culta, que gente educada estudada não usa, não escreve, que dói no ouvido, pode-se dizer o diabo. Mas não que não existe.
Já disse isto algures, em tempo, e ao depois verifiquei que o linguista Sírio Possenti já tinha dito, pouco mais ou menos, a mesma coisa.

Novidades ciclópicas
Um dos nossos colaboradores – o professor António Quino – em artigo publicado no jornal O País, edição 139, pág. 15, afirma:
«…atingido um certo nível académico, não é racional sair-se por aí dizendo o que é certo e errado na língua sem se dominar elementos básicos, como a pragmática, a arbitra-riedade do signo linguístico, a coerência e coesão sintáctica, a natureza do erro (em relação à ortografia, à sintaxe, à semântica, etc.).»
(In O País», de Luanda, publicado em 11.7.2011 na coluna do autor, Coluna invertebrada.)
Por força da profissão e do trabalho, fui obrigado a analisar página a página do best-seller, que é o Ensaboado & Enxaguado – Língua Portuguesa & Etiqueta. Aqui, agora, algumas (apenas algumas) das coisas mais “interessantes” que encontrei:
A primeira: vê-se na obra chuva a par de quedas pluviométricas [p.56]. Querem dizer o mesmo, José Carlos de Almeida. A segunda expressão é usada apenas no contexto da meteorologia ou num discurso mais especializado.
A segunda: vê-se na obra significa ou quer dizer a par de significa dizer [pp.41-42]. Isso para mim é uma novidade ciclópica!…Ambas são exactas.
Aliás, transcrevemos, por oportuna, o parecer de um profundo conhecedor da nossa lín-gua – MIGUEL MOITEIRO MARQUES –, extraído do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa:
«A expressão «significa dizer» é normalmente aceite na língua portuguesa e terá sensi-velmente o mesmo sentido que «quer dizer»...»
A terceira: vê-se na obra falar bem a par de falar muito [p.44, item 26]. Olhei para a outra página [62], a seguinte, e li o item 57. Ela mostra que José Carlos de Almeida pode estudioso da língua há 25 anos, pode vender livros às mancheias, mas que analisar factos de língua ele não sabe. Comete erros banais. Ainda bem que não é controlador de voo. Vejamos o que extraímos da pág. 62 do Ensaboado:
- «Renato, quando estiveres a ler, anota as palavras difíceis para depois procurares os seus respectivos significados no dicionário».
Palavras difíceis em que sentido?
Não concordo com esta expressão, pelo que, em sua substituição, proponho a seguinte: «palavras invulgares».
- Filho, não te esqueças de ver o significado das palavras invulgares.
- Está bem, papá! Mas, por favor, diz-me o significado de invulgar.
- Osvaldo, invulgar quer dizer que não é comum, usual, vulgar, ou seja, que não é usual pela generalidade das pessoas. Podes dizer também palavras pouco usadas.
Analise:
«Vamos procrastinar a reunião para o dia 29 do próximo mês.»
Procrastinar significa adiar.
Procrastinar é uma palavra difícil? «Difícil» em que sentido?
Procrastinar  é uma palavra invulgar.
Não acho que seja uma palavra difícil, mas, sim, uma palavra invulgar.
José Carlos de Almeida, preste atenção!
Tomei nota da sua sugestão, que me parece razoável, uma vez que por essa expressão se pretende referir palavras pouco usadas ou de estrutura mais complexa que a do vocabulário corrente. No entanto, lembro que o uso impõe, em contexto informal, sobretudo no contacto com crianças, a expressão «palavras difíceis».
A quarta: vê-se na obra Nós usou o mesmo tamanho a par de Ele veste comigo [p.135, item 152]. Ambas são exactas. «Ele veste comigo» deve ser uma forma coloquial de dizer «nós usamos o mesmo tamanho».
A quinta: vê-se na obra Não gosto de leite a par de Não sou amiga de leite [p.41, item 21]. Pode dizer das duas maneiras (a segunda é matefórica).
Seria demais pedir que José Carlos de Almeida estudasse dialectologia ou sociolinguís-tica, isto é, que lesse explicações históricas para as variantes linguísticas, sejam elas populares ou eruditas.
A sexta: recomenda-se na obra as Palancas Negras a par de os Palancas Negras para a nossa selecção masculina de futebol [pp. 90-91] (pasmem!).
É…
«Sendo possíveis as duas designações, o uso terá determinado, por agora, a opção por «os Palancas», reflectindo o género dos jogadores da selecção angolana, embora seja também válida, e para alguns mais acertada, a designação «as Palancas», em que o artigo concorda com o género gramatical da palavra, tanto mais que não se confundirá com a selecção feminina de futebol, oficialmente designada por Welwitchia, uma planta existente no sul de Angola e na Namíbia»(3).
Reparem, agora, neste título de notícia:
-Welwitchia é a designação da selecção feminina
E, agora, leiam a notícia abaixo da notícia:
-A selecção nacional de futebol feminina passará a designar-se `Welwitcha, planta rara existente no Sul de Angola), foi anunciado em Luanda, pelo presidente da Federação da modalidade (FAF), Justino Fernandes. O anúncio foi feito pelo presidente da FAF no final da audiência com o Ministro da Juventude e Desportos, Marcos Barrica, para abordar a participação na fase final do CAN/2008, no Ghana, e a realização da 2010, em Angola. A selecção nacional de honras é designada "Palancas Negras", em homenagem a uma espécie rara existente no país.
Deixem-me alongar-me um pouco mais sobre este assunto, tratando de outro, também polémico. Ao final, tirem vocês a inferência que melhor lhes aprouver. É sobre a biblio-grafia.
O Ensaboado & Enxaguado – Língua Portuguesa & Etiqueta não traz nenhuma refe-rência bibliográfica, o que compromete a sua credibilidade.
Agora mesmo, o Prof. José Carlos de Almeida está a contrariar as coisas e até as normas da metodologia de projecto, optando unilateralmente pela não inclusão do levantamento bibliográfico, as citações, as confrontações de dados ou informações em função do objecto em análise, quando no próprio texto da Metodologia de Projecto se recomenda registar todas as obras que a pessoa consultou para elaborar o trabalho. Será que nós, angolanos, somos mesmo os donos da … e não admitimos interferência de mais nin-guém, nem mesmo das normas da metodologia de projecto?
A inclusão da selecção de uma metodologia, o levantamento bibliográfico, as citações, as confrontações de dados ou informações em função do objecto em análise na obra em causa não ocuparia tanto espaço e revelaria um crédito a ela; por isso, cremos firmemente nessa correcção por parte de escritores, jornalistas e estudantes.

Desserviço à Educação
Vocês podem estar a pensar que tenho alguma coisa contra José Carlos de Almeida. Nada! Eu tenho é muita coisa contra todos aqueles que prestam desserviço à Educação, contra todos aqueles que prestam desserviço ao Ensino, contra todos aqueles que pres-tam desserviço ao país. José Carlos de Almeida ou não. Os profissionais que exercem cargo ou função de responsabilidade devem ter conhecimento ou preparo compatível, caso contrário estão no lugar errado, escolheram a profissão errada. Devem buscar outros rumos. Para não prejudicarem os outros, para não irem de encontro aos anseios dos professores, esses abnegados, que é educar (formar e informar), a fim de que as pessoas possam, bem-formadas, melhor servir o país. Que, em suma, somos todos nós. Só por isso…
Gostaríamos de chamar a atenção do Sr. José Carlos de Almeida, autor do Ensaboado & Enxaguado – Língua Portuguesa & Etiqueta, para o erro que comete (e espalha, com o peso da sua autoridade), ao afirmar erradamente que “lagrimar não existe em português”.
Seja como for, mais uma vez sobressai que o facto de tal ou qual errar em afirmação nada diz sobre a cultura ou a inteligência do infractor, teoria em que muitos (no rol dos quais não cremos incluir o Sr. José Carlos de Almeida) ainda que muitos acreditam e se … em assinalar aos faltosos. Era essa, aliás, a opinião do distinto gramático de antanho Jerónimo Soares Barbosa, para quem “um homem bem criado revela-se mais e é menos vergonho um erro de Sintaxe, que um erro de pronunciação ou de Ortografia; porque aquele pode nascer da inadvertência; estes são sempre efeito da má educação.”
Já disse isto algures, em tempo, e ao depois verifiquei que um consulente do Ciberdúvi-das já tinha dito, pouco mais ou menos, a mesma coisa.

Não se sabe por que cargas d'água, alguns estudantes de linguística do Brasil insistem em querer ter acesso ao Ensaboado & Enxaguado – Língua Portuguesa & Etiqueta, conforme se vê pelo e-mail abaixo de uma estudante de Linguística do Rio de Janeiro, a mim enviado dia desses às 15h45min:

“- Boa tarde,
Vi os seus comentários sobre a língua portuguesa no site opais.net
Sou brasileira e gostaria de saber se tens livros ou artigos sobre a língua portuguesa publicados, sim?
Sobre a obra de José Carlos de Almeida. Você a tem? Eu gostaria de obtê-la, mas não sei onde poderia comprá-la. Podes indicar-me onde posso comprá-la? Um site, nome de livraria ou editora?
Pelo que vi nas notícias em alguns sites, pode ser que a obra esteja esgotada. Se isso for verdade, se possível, gostaria de saber se você poderia escaneá-la e enviar para mim. Preciso dela para um trabalho acadêmico urgentemente.
No aguardo,
Cinthia.”

E, no pouco que escreve, uma questão merece análise:
A troca de tratamento num mesmo texto é reprovada nas escolas, todos os professores responsáveis sabem disso; todos os alunos aprendem isso.
A jovem brasileira ignora totalmente a forma de tratamento, a ver-se pelo e-mail acima, a mim enviado, no qual ora me trata por VOCÊ, ora por TU. A jovem, então, presta um desserviço à Educação, com esses seus e-mails.
Seria útil que ela explicasse por que na primeira frase me tratou por você e na segunda, por tu. Muitos querem saber, imagino.
Em vez de escrever assim, por que a brasileira em causa não volta aos bancos escolares?
Porquê, ninguém sabe. É um mistério!
Quem conhece a estrutura da língua jamais constrói dessa forma. Ou seja, quem apren-deu a fazer análise sintáctica, não escreve assim. Como nas escolas brasileiras já não se ensina análise sintáctica (“é coisa do passado”, como querem os artistas vanguardistas da Educação do Brasil), o erro aparece constantemente nos e-mails dos meus leitores e admiradores brasileiros, porque esses admiradores e leitores brasileiros, ao ver-se como escrevem, não aprenderam a fazer análise sintáctica.
E saber que todos os angolanos que querem dominar a língua portuguesa estão todos obrigados a seguir o que o autor do Ensaboado & Enxaguado – Língua Portuguesa & Etiqueta decide! Sabem como me sinto? Sinto-me como aquele recruta que, disciplinado, segue rigorosamente o seu comandante em direcção a um abismo, para suicidar-se…
A cada dia que passa, nós, que já estamos há mais de 10 (dez) anos a "tentar" aprender e/ou assimilar alguma coisa, chegamos à angustiante conclusão de que, em termos de língua portuguesa, dificilmente passaremos de mero recruta, de mero aprendiz. Essa é a dura realidade, quer queiramos ou não!
Peço desculpa da observação, José Carlos de almeida. Mas foi com boa intenção. Até rima!

Maka à quarta-feira na UEA sobre
Factores Exógenos de Produção da Literatura Angolana

A União dos Escritores Angolanos (UEA) será uma das associações culturais angolanas que estará plenamente engajada em assegurar o êxito do II Festival Nacional de Cultura (FENACULT) que decorre em toda Angola, nos meses de Agosto e Setembro próximos.
Como resultado desse engajamento literário, a UEA promove na próxima quarta-feira, dia 6 de Agosto, com início às 18 horas, na sua sede, uma maka intitulada "A Literatura Angolana e os Factores Exógenos da sua Produção", que será introduzida pelo escritor José Luís Mendonça.
O escritor levará ao debate na Casa das Letras Angolana um tema pouco discutido nos círculos literários do país, a saber, a questão dos factores que concorrem para a produção da Literatura Angolana, considerada esta manifestação cultural na sua característica fundamental que é a Arte de Escrever Bem e de Suscitar a Reflexão do leitor sobre os aspectos cruciais da História,  e da Vida em Sociedade, com vista a uma tomada de consciência do lugar e do papel do cidadão no Mundo em que vivemos.
Factores como a(s) Língua(s), a Imprensa (e os seus equívocos anti-críticos), os Estímulos à criatividade (como a Oferta de Livros, o Ensino, o papel da Família, do Professor e dos próprios agentes literários) serão por ele apresentados na maka, bem como uma ideia muito geral do estado da Literatura Angolana no século XXI.

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