Neto e as gerações literárias do pós-independência

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Foi em Setembro que nasceu e morreu o poeta Agostinho Neto. Primeiro presidente de Angola e o maior exemplo intelectual para as gerações literárias angolanas do pós-independência.

Neto e as gerações literárias do pós-independência
Vamos crer que qualquer poeta que se preza é um infinito e corajoso batalhador, em todos os campos, sempre predisposto para enfrentar os desafios do seu próprio tempo. Neto assim o era e, conta-se um episódio segundo o qual na prisão foi-lhe proibido trabalhar e escrever mas ele escrevia os seus poemas com letras pequeníssimas em pedaços de papel minúsculos que eram enrolados e escondidos dentro de um cigarro.

Às vezes, num cigarro cabia um poema inteiro. Aquando das visitas da esposa, ela saía sempre, com um cigarro intacto e dentro dele, com um poema novo escondido.

Reputamos tal atitude como sendo um célebre ato de luta, coragem e sobrevivência pois escrever, para ele era um destino em razão das premonições e foi ele mesmo quem disse um dia. " ...escrevíamos poesia (nas prisões) expressávamos as nossas ideias, mais recônditas, apelávamos o povo à luta... aliás nos foram criadas condições ideias para a criação.

Uma prisão oferece a um poeta tanta solidão em que só pode sonhar um esteta dos mais refinados. Em todo o caso, nunca mais tive tanto tempo para a poesia como quando estava encarcerado."

Os desafios passaram a ser objetivamente outros, aos quais já no período pós-independência se juntou a Presidência da União dos Escritores Angolanos, instituição cultural fundada aos 10 de Dezembro de 1975, justamente um mês após ele mesmo ter proclamado a independência de Angola, fazendo dela a república popular que conhecemos até ao início dos anos 90 do passado milénio.

Agostinho Neto, antes de poeta, em razão da sua formação, era sobretudo um homem de princípios. Estes princípios de carácter ético fundamentalmente, polvilharam toda a sua poesia. Contudo, todo o digno leitor e cultor do seus textos dificilmente negará a sua influência.

Aliás, até porque "(...) A poesia de Neto tem as suas raízes históricas mergulhadas na longa tradição da literatura angolana patriótica e que data já das últimas décadas do século XIX."

Podemos ler o que bem escreveu Marga Holness, na introdução da Sagrada Esperança de Neto: "Em o Futuro de Angola, semanário que se publicou em Luanda nos primeiros anos da década 1880-1890, José de Fontes Pereira verberava o domínio do português que apenas trouxera escravidão e ignorância.

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