O legado literário de Carlos Pimentel

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Carlos Pimentel, um poeta itinerante.

O legado literário de Carlos Pimentel
Carlos Pimentel Fotografia: Jornal Cultura

Em entrevista concedida a Aguinaldo Cristóvão, intitulada “Carlos Pimentel, um poeta itinerante”, diz-se, a abrir que Carlos Pimentel, “escritor angolano, reconhecido poeta e contista, revela-nos um interessante perfil literário que curiosamente inicia numa sala de aulas onde não consegue desenhar um elefante e ultrapassa a barreira que separa o autor do escritor. A atribuição do prémio Noma de literatura para a obra “Tijolo a tijolo” é apenas um exemplo. Mas do autor sobressaem outras facetas sendo relevante a de cronista do Jornal de Angola, com a conhecida coluna “Pimenta na Língua”.

O autor de poemas como “Salfabetizando”, “Pedreiros”, “Pra o Amanhã”, “Mamãe, “Me Faz Uma Flôr”, é igualmente contista. Escreveu apenas um título “O Rio Só Termina na Foz”, não publicado e que o poeta escreveu, guardou e mandou para o Concurso Literário 1º de Maio de 1977 da UNTA, no qual obteve uma menção honrosa.
O criador da Revista Militar, lamenta, na entrevista que “já não temos indústria de papel, embora tenha existido em Angola um dos maiores pólos de eucaliptos do mundo, ao longo de todo o caminho de ferro de Benguela, do mar à fronteira do Moxico com a hoje Zâmbia. Não há eucaliptos, matéria-prima para a produção de papel. A Celulose foi o que se viu, já não existe fábrica. As máquinas, as tintas, o papel, as chapas, os produtos químicos, tudo é importado. Compete ao Estado a protecção fiscal, isenção ou diminuição efectiva dos valores dos impostos e auxílio verdadeiro às tipografias que trabalham de facto como tal, através doutras medidas pertinentes.”

HOMENAGENS
O ministério da Cultura destacou dia 7 de Dezembro, em Luanda, o contributo e o legado literário do escritor Carlos Pimentel, falecido um dia antes, vítima de doença.
O Departamento Ministerial que vela pela cultura no país acentua que Carlos Pimentel deixa um legado literário enraizado no arquitexto angolano da cultura nacional, onde se destacam as obras como Pano Barato (1989) e Tijolo a tijolo (1981), Menção honrosa do Prémio NOMA-1982.
“Com uma notável carreira ligada no mundo das letras em Angola, Carlos Pimentel assumiu-se, desde o princípio dos anos 1980, com a publicação do seu primeiro livro, Tijolo a tijolo. Defensor intransigente e lutador pela preservação, valorização e divulgação dos traços identitários da angolanidade”, lê-se no documento.
O ministério acresce ainda que Carlos Pimentel, poeta de mão cheia e de olho aberto para a descoberta de novos talentos, ao longo dos anos em que exerceu o cargo de Director Geral da Empresa Nacional de Discos e Publicações “ENDIPU”, incentivou novos escritores que publicaram diversas obras literárias para o mercado nacional, contribuindo, assim, para o surgimento do movimento literário da Geração dos anos 1980.

O ESCRITOR
Carlos Frota Tendinha de Pimentel Teixeira nasceu Namibe (Moçâmedes), a 24 de Setembro de 1944. O facto de ser originário do Sul de Angola não o impediu de comungar a experiência da chamada “geração de 50” que, como sabemos, teve a cidade de Luanda por berço. Se Benguela, pela voz dos poetas Aires de Almeida Santos e Ernesto Lara Filho, respondeu prontamente ao grito libertador de Luanda, Namibe só o faz bem mais tarde e pela pena deste poeta.
Carlos Pimentel foi membro fundador da União dos Escritores Angolanos (UEA) e da Academia de Letras de Angola.

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