O melhor do cinema de animação

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Aliança Francesa organiza mostra no Cefojor

O cinema de animação, vulgo "bonecos animados", faz parte do dia-a-dia da maioria das famílias. As crianças, entregues a si mesmas ou acompanhadas por adultos, chegam a passar a maior parte do tempo em casa a ver os canais de televisão que passam estórias em desenhos animados.

Os pais deixam os filhos à vontade diante do televisor, com a complacência própria de quem teve a infância preenchida igualmente com o visionamento das estórias que põem em movimento personagens saídas diretamente da prancheta de desenho, ou, mais modernamente, dos computadores. Para o bem ou para o mal, o cinema de animação é um dos modeladores da personalidade do homem contemporâneo e um importante vetor do imaginário infantil.

No dia 08 de Agosto, quem foi ao Cefojor, na abertura do ciclo de cinema de animação promovido pela Aliança Francesa de Luanda, teve uma grata surpresa: ao invés dos filmes a que estamos habituados a ver na televisão, de cariz infantilizante, cujo enredo e formato são à imagem e semelhança dos clichés predominantes em Hollywood, inteiramente voltados para o espetáculo, vimos uns curtas elaborados sob os mais elevados critérios artísticos.

Os filmes remetiam imediatamente o espectador à fonte do cinema de animação: o desenho e, mais concretamente, à banda desenhada.

Era fascinante ver como alguns personagens ganhavam forma a partir de uma linha, de um traço e iam à conquista de cenários de luz ou de sombras. O aspeto experimental, de ensaio "laboratorial" em busca de novos efeitos estéticos, sobressaiu na maioria das peças exibidas. Ficou evidente a preocupação dos organizadores em trazer para a mostra parte do melhor cinema-arte de animação francês.

O público, maioritariamente juvenil, que praticamente encheu o auditório do Cefojor, esteve à altura do desafio, de tal modo que soltava salvas de palmas, no final de cada curta-metragem.

Alain Sarragousse, diretor-geral da Aliança Francesa de Luanda, disse ao Jornal Cultura que o cinema de animação "é um género bastante conhecido e ao mesmo tempo pouco conhecido, no sentido de que o grande público conhece sobretudo as grandes produções americanas e japonesas". Sublinhou que quando em contacto com as produções de origem europeia, mais estilizadas e voltadas para os adultos, o público fica igualmente agradado.

A apresentação abriu com "Logorama", 2011, uma engenhosa curta-metragem animada inteiramente por logomarcas e mascotes fartamente conhecidas do público. Assinada por François Alaux, Hervé de Crécy e Ludovic Houplain, a peça foi galardoada com o prémio de melhor curta-metragem no Festival de Cinema de Cannes.

Seguiram-se "A bela do bosque de ouro", 2001, "Borboleta", 2002, "A linha da vida", 2006, "A queda do anjo". 2005, "Calypso é isso", 2003, "Contra a parede", 2001, "Nos seus braços", 2006, "Para que serve o amor?", 2003, "Silhuetas", 2006, "Sinais de vida", 2004, e "Uma história vertebral", 2004.

O Ciclo de Cinema de Animação, enquadrado no projeto "Quartas de Cine", prossegue no dia 22 de Agosto, com a exibição do curta "Belleville rendezvous", de Sylvain Chomet, que em 2003 chegou a ser nomeado para os Óscares de Melhor Filme de Animação e Melhor Música.

No dia 5 de Setembro é apresentado "Persepolis", 2007, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, que narra a história de uma menina que cresce no Irão durante a Revolução Islâmica. O ciclo de cinema de animação termina a 19 de Setembro com a mostra do filme "O mágico", 2010, de Sylvain Chomet.

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