O poeta de “O Vento do Parto” marcou encontro com o Criador

Envie este artigo por email

Conheci o poeta António Panguila em 1993 estava na altura a preparar a edição do meu primeiro projecto literário. Ele já havia publicado o poemário “O Vento do Parto”, em 1993, edição do autor.

António Panguila será sempre recordado como “um poeta militante da economia da palavra”

Conheci o poeta António Panguila em 1993 estava na altura a preparar a edição do meu primeiro projecto literário. Ele já havia publicado o poemário “O Vento do Parto”, em 1993, edição do autor.

Homem modesto, altamente prestável, senhor de uma lucidez impressionante, conhecedor profundo da literatura angolana, sobretudo da Poesia.
Pertenceu ao projecto estético literário Ohandanji com os escritores Luís Kandjimbo, Lopito Feijó entre outros.
Ao dedicar-me o seu segundo livro, “Amor Mendigo” escreveu: “Para o irmão A. Gonçalves com amizade pela afirmação do novo discurso poético angolano” e assinou com a data de 9 de Março de 1998.
Para além dos dois brilhantes livros citados, produziu um terceiro livro de poesia intitulado “Corpo Molhado de Prazer” em 2011. Organizou também uma Antologia de Poesia Erótica Angolana designada “Amor no meio do teu Mar”, UEA, colecção Guaches da Vida, 2013; excelente título tomado de empréstimo ao poeta Cristóvão Neto. De nome completo António Francisco Panguila, nasceu aos 15 de Julho de 1963 em Luanda. Membro da União dos Escritores Angolanos, chegou a interinar o cargo de secretário-geral durante alguns meses. Foi membro fundador da Brigada Jovem de Literatura Angolana. É também autor do ensaio “Agostinho Neto: Libertador e Homem de Cultura”.
Nos Anais da história da literatura angolana, António Panguila será sempre recordado como um “poeta militante da economia da palavra”, do bilinguismo português-kimbundo e da sugestão verbal, intelectual, historiador em suma um homem de cultura.
É inegável que o seu estudo sobre a poesia erótica angolana não tem paralelo entre nós. O texto introdutório do livro mostra, uma reflexão bem fundamentada por quanto o autor projecta-nos para este mundo imaginário que é o Amor, mas fá-lo com seriedade e conhecimento peculiar, fruto de leituras onde se cruzam elementos do erotismo e da espiritualidade, senão vejamos o que nos diz:
“Do ponto de vista semiótico, o Amor é um texto. É o mais expressivo texto da Vida, através do qual cada entidade amorosa institucionaliza a sua relação com o Universo lírico e sensual. O Amor é tema eterno, na medida em que ele foi, é e será para todo o sempre cantado pelas gerações literárias do planeta Terra”.
E prossegue da seguinte forma:
“A Antologia de Poesia Erótica que está em vossa mão, tem um corpo, uma mente e uma alma, nos quais gravita toda a energia amorosa emanada a partir do centro energético divino que faz da poesia uma filosofia espiritual que ajuda a elevar os níveis de espiritualidade dos leitores”.
O nosso irmão não passou despercebido por este mundo, deixou marcas profundas das quais as próximas gerações devem estudar e enaltecer o seu legado. Sei que tem concebido uma tese sobre a Geração Literária do Pós-Independência; uma forma de honra-lo seria a edição deste material.
Estamos todos de acordo que a arte é a forma clássica pela qual o homem decidiu perpetuar-se. No caso do escritor que nos congrega aqui, a sua missão foi esplendidamente cumprida apesar da sua partida prematura.
Quanto a nós que convivemos com ele, julgo estar a ser acertivo se disser que foi uma grande honra termos partilhado a vida com um sábio sem que nos déssemos conta disso.
Irmão António Panguila, Descanse em paz e ver-nos-emos em próximas encarnações. Um até depois...

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos