Perfil de Alda Lara (I)

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Alda Lara, Jornal de Benguela 01-02-1965, p. 1.
A juntar a tudo isto, o poeta e jornalista Ernesto Lara (Filho), numa das suas crónicas da “Roda Gigante”, publicada no Jornal de Angola, em 1959, refere a existência de Laras em Moçâmedes/Namibe, em Benguela, no Lépi, em Sá da Bandeira/Lubango, acrescentando que muitos mestiços usam o seu apelido.

Como se depreende, a família de Alda Lara encontrava-se dispersa pelo território angolano. Os seus “mais velhos” terão feito parte do grupo de colonos que rumou àquelas terras na sequência da necessidade de um povoamento mais efectivo imposto pela Conferência de Berlim.

Nessa mesma crónica, Ernesto, irmão de Alda, faz referência às origens da sua família no Minho, a um tio-avô, o “velho” Gouveia, ao pai Ernesto e aos tios Abel e Lúcio, que teriam ido para Angola no início do século XX, para a linha do Caminho de Ferro de Benguela, “quando ainda não havia caminho de ferro”.

Estes colonos, que falavam “perfeitamente o português e o quimbundo”, ter-se-ão fixado inicialmente na zona do Bailundo, onde se dedicaram à agricultura, ao comércio e à indústria. Ernesto faz ainda alusão a “Aurora”, nome dado à fazenda da família onde se fazia uma intensa exploração agrícola de sisal.

A partir do cultivo dessa planta, o pai terá criado a primeira fábrica para desfibrar e fiar sisal no território, para os lados do Cubal ou da Ganda. As carpetes e os tapetes de sisal ter-lhe-ão permitido a fama e o desafogo económico. Posteriormente, os Laras foram-se distribuindo no terreno de Benguela a Vila Nova, Sá da Bandeira/Lubango, Moçâmedes/ Namibe e até Luanda e Malanje.

Em 1919, terminada a 1ª Guerra Mundial, foi publicada, em Portugal, legislação que revogava alguns decretos do início da República. Essa situação faciltou a abertura de novos seminários e o incremento de institutos religiosos femininos como os das Irmãs de S. José de Cluny, das Irmãs Beneditinas, das Irmãs de S. Salvador e das Irmãs Doroteias, que se dedicavam ao ensino.

Estas últimas terão aportado no Namibe por volta de 1934, onde abriram o primeiro colégio e, em 1937, fundaram o de Paula Frassinetti, no Lubango. A este último foram chegando alunas em número crescente, vindas de toda a Angola, atendendo às condições favoráveis da sua oferta como à geografia do planalto, o clima ameno e os ares arejados. Este colégio tornou-se, com o tempo, uma escola de prestígio.

Primeiras letras

Em 1940, o Colégio de Paula Frassinetti, no Lubango, tinha 163 alunas, a maioria filhas de europeus. Alda Lara era de compleição franzina e saúde frágil. Era asmática. A sua mãe é referida como sendo uma senhora católica, devota.

É por isso, plausível, que estas razões tivessem tido influência na opção da família e que, por isso, Alda aí tenha estudado, depois de ter frequentado o ensino primário em Benguela. Há ainda notícia de, pelo menos, mais uma rapariga de apelido Lara, entre as alunas do Colégio de Paula Frassinetti, no Lubango, o que pode configurar escolhas familiares.

Além disso, o Colégio de Nossa Senhora da Conceição, em Benguela, também da Congregação das Irmãs Doroteias só abre as portas, com muito modestas instalações, em 1939. Só mais tarde, em 1947, se lança a primeira pedra de um novo edifício e em 1950 é inaugurado o primeiro pavilhão do Colégio novo.

Alda Lara conclui nesse colégio de religiosas, no Lubango, o sexto ano do Liceu. Nesse período começam a aparecer os seus primeiros escritos. Data de 1945, o primeiro texto publicado no Jornal de Benguela, com o título Divagando, facto de que já demos nota no
número da edição nº42 deste jornal.

Com 17 anos, Alda vai para Portugal para concluir o ensino secundário e ingressar no ensino superior. Também o irmão, Ernesto, para prosseguir estudos, esteve afastado da família em colégios e lares de estudantes e passou a juventude no Lubango. Este foi para Portugal em 1948.

(continua no próximo número)

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