Poemas de Ivan Perdigão (Lubango)

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Poemas de Ivan

Poemas de Ivan Perdigão (Lubango)
Poemas de Ivan Perdigão (Lubango)

Procuro

Pelas ruelas da cidade
Pelos passeios gastos e velhos
Entre os postes e a sua fraca luminosidade
Entre os povos cansados
Eu procuro…

Eu procuro...

No meio do trânsito atabalhoado
O som das buzinas e o cheiro do dia terminado
Entre os olhares suspeitos e cúmplices
Entre pesados semblantes

Entre o pó e a respiração ofegante
O suor dos suados
Entre conhecidos e desconhecidos
O anónimo calado e falante
Eu procuro…

Entre noites e dias
Pensamentos e ideias
Entre os ruídos e conversas
Entre desabafos e confidências
Eu procuro…
… e não encontro….
… o teu sorriso…

Lubango 29/04/2012

Inóspito deserto

No deserto de sentimentos
Começo minha viagem
Um alento na bagagem
Longínquos destinos

Em busca de uma nova existência
Um amor sem ciência
Pela pedra, pelo trilho, pela pegada
Pelo coração, pela mente, pelo sol
Ansiando por uma luz, um farol
Uma alma amada

Pelas toneladas de areia
A dor vagueia
Impulsionado pelo oculto, pela veia
Um coração vagante
Um corpo, um ser, uma amante
Uma travessia mortificante

Os pés a sangue vivo
Disfarçados pela poeira que engana o crivo
Os olhos duros e frios
Contemplando Inóspitos horizontes
Um nomadismo de sensações
Mordendo a carne e os ossos

Uma viagem intrépida
De um ser covarde
Guerreando na sua cruzada
Derrotado na sua intimidade

Orientado pelas constelações
Mergulhado nas emoções
Sabe porque partiu
Não sabe para onde partiu

Lubango, 18.2.2013

Uma carta de ternura

Vou escrever uma carta
Da face ao verso
Esgotando a caneta
Com palavrinhas e desenhos
Um longo texto
Escrito pelo punho
Ditado pelo sentimento
Uma carta que não fale de amor
Que não fale de saudade
Que não relembre a dor
Uma carta com falsidade
Que fale de felicidade
Vou escolher as palavras maiores
As palavras que não conheces
Vou falar dos barcos
Da chuva, das ruas com charcos
Vou falar dos vizinhos desconhecidos
Dos bairros e edifícios
Vou falar de tudo que não sabes
Do pouco que não ouves
Vou escrever esta carta
Esperando que quando parta
Seja breve até tua mão
Que ao portador não digas não
E que no caminho solitário
De casa ao rio
Leias tudo, mais uma vez e outra
E no dia seguinte e de novo
Que a leves quando vais a feira
Que a escondas do povo
Vou escrever
Porque sei que a vais ler
E na escrita e na leitura
Toda a ternura
O amor que perdura
Vou escrever
As letras conhecidas
E tu vais ler
As letras escondidas

Lubango, 20.2.2013  


Espacial

Vou partir para a lua
Deambular pelo sistema solar
Abandonar tudo no meio da rua
Partir e nunca mais voltar

Vou surfar pela aurora boreal
Visitar os planetas e satélites
Conhecer as culturas distantes
Indagar por um amor real

Não sou astronauta
Somente ando pelo mundo espacial
Procuro um ser que me completa
Um coração especial

Vou procurar no lugar mais frio
Suportar o imenso calor
Planetas, mundos, toda estrela que brilhar
Vou andar por locais que a ciência não descobriu
Vaguear e nunca me cansar
Até encontrar o verdadeiro amor

Lubango, 23.2.2013

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