Rever Luanda sobre perspectivas

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A cidade, os seus integrantes e a evolução que ela sofre com o decorrer dos anos, são temas que sempre chama atenção aos artistas. Conseguir expressar o que de melhor e pior desponta nela é um desafio a que muitos se propõem e apenas alguns conseguem. Luanda, como toda a urbe moderna, tem imensas “riquezas” para os seus criadores e está é a base da mais recente mostra colectiva de vários jovens artistas, “Indivíduo. Cidade. Metamorfose”.

A cidade, os seus integrantes e a evolução que ela sofre com o decorrer dos anos, são temas que sempre chama atenção aos artistas. Conseguir expressar o que de melhor e pior desponta nela é um desafio a que muitos se propõem e apenas alguns conseguem. Luanda, como toda a urbe moderna, tem imensas “riquezas” para os seus criadores e está é a base da mais recente mostra colectiva de vários jovens artistas, “Indivíduo. Cidade. Metamorfose”.
A exposição, patente nos Coqueiros, em Luanda, na inaugurada galeria Jahmek Contemporary Art, faz um enfoque especial à dinâmica da sociedade contemporânea e as consequências das mudanças na vida dos citadinos, assim como a sua influência para as gerações vindouras.
Muitos visitantes podem constatar na exposição que um dos maiores desafios dos artistas foi o de “inventar” o futuro, tendo em conta as mudanças do passado e o seu reflexo no presente. A mostra pode ser vista como a premissa para uma análise mais profunda sobre a Luanda actual e que futuro se pode esperar dela.
Como todo o artista deve marcar a sua geração e saber analisar todas as mudanças vividas na sua época, então Kiluanji Kia Henda, Nástio Mosquito, Francisco Vidal, Délio Jasse, Yonamine, Iris Buchholz Chocolate e Tiago Borges conseguiram mostrar, com a exposição, que viram os “sinais” do seu tempo e as transformações na sociedade.
As obras, cada uma com a peculiaridade do seu criador, são uma forma diferente de ver as mudanças sociais e culturais de Luanda e dos seus habitantes, através de um diálogo aberto, no qual as fronteiras da imaginação podem levar qualquer um dos visitantes a reflectirem sobre a sua maneira de observar a capital de Angola.
“Demo Cra Cia” é, por exemplo, a proposta de Nástio Mosquito. A instalação, criada em 2015, inclui uma projecção de vídeo. O objectivo do autor, como o título da própria obra propõe, é reflectir sobre este fenómeno, que em Angola, foi tema de inúmeros debates.
Para Yonamine é o “Pão nosso de cada dia” o foco da sua análise. Feita em 2016, a instalação de parede montada com pão torrado, mostra um pouco da realidade dos angolanos residentes em Luanda durante décadas. Um aspecto que chama atenção ao visitante é o facto de o artista ter conseguido replicar o rosto do ex-presidente da República, José Eduardo dos Santos, em vários dos pães.
Com “Killing me Softly”, Francisco Vidal levou o público para uma viagem da imaginação, onde o tempo comanda a visão de quem vê a instalação com desenho e serigrafia. “Me matando suavemente”, como sugere o título em inglês, dá ao público inúmeras ideias sobre o que esperar deste trabalho, criado este ano.
Num estilo diferente, Délio Jasse apresentou “A volta do tempo”, outra das suas recentes criações. Feita este ano, o projecto, em imagens c-print sobre película, espelha um pouco daquilo que marcou e foi o quotidiano dos luandenses, durante meses.
A proposta de Kiluanji Kia Henda foi “Blank Capital”, um conjunto de 48 fotografias, feitos no estilo inkjet print sobre papel de algodão, entre 2017 e 2018. A ideia do artista, como o título sugere, é provocar a vontade de reflexão no público, através de um “Capital em branco”, onde cada um pode recriar, com base nas imagens, a sua ideia sobre Luanda.
“Money/Honey”, um título ousado, pelo seu significado em português “Dinheiro querido”, é a ideia de Tiago Borges, para mostrar uma das principais bases das mudanças sociais e um dos aspectos que até hoje ajudam a definir determinadas barreiras sociais e a criar transformações significativas entre as pessoas. O projecto, feito no estilo instalação de parede com luz, foi criado em 2007.
Com dois trabalhos, um deles “Momentos de Aqui”, pintura feita em 2016, e outro, “O fio das Missangas”, de cera e cabelo sintético sobre papel, criado em 2016, Iris Buchholz Chocolate procura unir o passado e o presente, numa perspectiva futurista.
Os desafios propostos pelos jovens criadores, patentes ao público até o próximo dia 24 deste mês, trazem também os de um novo espaço, que pretende se impor no mercado da capital, através de exposições ousadas, capazes de “prenderem” as pessoas, nesta era de novas tecnologias.

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