Roberto de Almeida Lança Peças de Oratória Parlamentar

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Roberto de Almeida é um intelectual e escritor com percurso traçado, desde a juventude, no primeiro círculo da política angolana, que o levariam a exercer, de 1996 a 2008, o prestigiado cargo de Presidente da Assembleia Nacional da República de Angola.

O autor assinando o autógrafo para o Vice-Presidente da República

A memória da longa permanência na Casa das Leis, onde ainda perpassa a sua aura de Deputado, é trazida, no género da oratória, para o grande público, nas 460 páginas do livro “Peço a Palavra -Peças de Oratória Parlamentar”, editado pela Kilombelombe e apresentado no passado dia 23 de Maio, em Luanda, pelo Deputado e jornalista Adelino Marques de Almeida, num ambiente solene, onde pontificaram as figuras do Vice-Presidente da República, Fernando da Piedade Dias dos Santos, de executivos e parlamentares de vária índole e outros convidados.

Primeiro número da nóvel coleção «Discursos, Entrevistas & Comunicações» da Kilombelombe, “Peço a Palavra - Peças de Oratória Parlamentar” justifica-se, de acordo como autor, devido à necessidade de “documentar para a história daquela instituição e para a posteridade, “ o sinuoso caminho percorrido pelo nosso país até ao alcance da paz.

” Damos a palavra a Manuel Inácio dos Santos Torres, editor e coordenador da coleção, para quem “a importância da oratória no discurso, no debate e exploração de ideias, teve sempre carácter incisivo e relevante, desde os primórdios da Idade Média até aos nossos dias, tendo atingido o seu zénite no Estado na versão herdada do século XVIII, apelidado ‘idade ou século das luzes’”.

Manuel Torres, resume assim o conteúdo da obra: “Peço a Palavra. Peças de Oratória Parlamentar, passa em revista aspetos relevantes da política interna, como são a Reconciliação Nacional, o papel determinante dos parlamentos na vida política e social do país, o código ético e deontológico profissional dos parlamentares, para além de um sem número de intervenções de cariz eminentemente político nas múltiplas receções efetuadas pela Assembleia Nacional aos chefes de Estado estrangeiros que durante esta longa legislatura em apreço se deslocaram ao nosso país, intervenções essas balanceadas na perfeição et cum lauda e um grande sentido de Estado por parte do orador.”

Através desta “obra pouco comum, na série literária angolana”, diz João Melo, no prefácio que fez ao livro, “os leitores ficarão coma acertada sensação de terem acompanhado quase dia a -dia a nossa complexa história recente, desde os primeiros sinais de colapso do Protocolo de Lusaka (assinado em 1994) à véspera das eleições legislativas realizadas em Setembro de2008.”

No livro também “fica clara e evidente a ‘visão do mundo’ (uma das definições de ideologia) de Roberto de Almeida, assim como os seus princípios e valores. Desde logo, e em relação à situação interna do nosso país, o autor mão esconde a sua opção por um modelo de desenvolvimento que combine políticas de mercado e justiça social. Afirma ele, logo no primeiro texto da coletânea, correspondendo a uma intervenção pública datada de1996: ‘[…] a via do crescimento económico - social que a paz vem tornar possível só pode ser alcançada quando, para além da capacidade de produzir riqueza, nos tivermos dotado da capacidade de garantir um grau razoável de solidariedade entre os vários grupos que compõem a sociedade angolana, de forma que não se alargue ainda mais o fosso que os separa.’ O recado mantém plena atualidade e pertinência até hoje”, considera o prefaciador da obra.

No prefácio, pode ainda ler-se, da pena de João Melo, que “o rigor ideológico deste político e intelectual angolano obrigou-o também várias vezes, e uma vez alcançada a paz, a recordar que a reconciliação e harmonização não implicam branquear os factos históricos, sob pena destes últimos se repetirem.

Do mesmo modo, a sua visão simples e precisa do conceito de democracia está patente em alguns dos textos da presente coletânea. Assim, como bem sublinha num deles, a democracia não elimina os conflitos, mas pressupõe a existência de regras (constitucionais e legais) para solucioná-los. Ou seja, em democracia, é proibido agir à margem da lei.

Outros textos, sobretudo proferidos em eventos internacionais, reflectem a visão progressista e pan-africanista de Roberto de Almeida. Mas trata-se de um pan-africanismo moderno, não-étnico e não-epidérmico, na melhor tradição dos ensinamentos de Agostinho Neto.”

A terminar a sua recensão crítica ao livro, João Melo elogia o estilo do autor: “Roberto de Almeida escreve simples, claro e direto, o que parece fácil, mas toda a gente sabe que não é. Dá gosto ler estes textos.

Os jovens, principalmente devem estudar este livro, não apenas para recolherem preciosas informações e pontos de vista sobre a nossa história política mais recente, mas também para aprenderem que a linguagem, quando perde a sua capacidade de comunicação, se torna uma mera operação gratuita e inútil, às vezes até ridícula, por mais ‘inovadora’ e ‘criativa’ que se julgue. “

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