Saco fundo e sem fim ou princípio visível a olho nu

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Saco fundo e sem fim ou princípio visível a olho nu

Não sei se tenho saco para isto tudo
Ou se ele está furado e eu não sei
Há quem diga que eu sou um buraco
Outros dizem que sou o próprio furo
O que digo ou penso pouco interessa…
 
Sou lobo sem cara e com cara de ovelha
De tão egoísta que sou quero ser o todo
Desejo tudo e mais algumas coisa e o céu
O tempo está acabando e sempre iniciando
Ando a reboque nele e sem saber o destino
 
Dou um nó na garganta e no que digo
Falo tão à toa e tanto quanto cuspo
Como a sopa da pedra e letras toda
Leio no meio do líquido amniótico
Soletro em voz alta o nome do próximo
 
Nunca tenho tempo e nem relógio
As eras passam por mim como vento
Nem sequer me dependuro no ar
Aprecio sim uma bela vista aérea
Vejo-me como uma águia humana indo e rindo nua…
 
Dou um tiro de canhão no pé
Falho o chão e o objectivo em cheio
Negoceio o próximo alvo a olho
De imensamente cego peço esmolas
Só obtenho no final côdea e uma poucas migalhas…
 




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