Três poemas de Manuel C. Amor

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Impuema 64

No dia do Herói Nacional ( 17 de setembro)

Pela história dos heróis
Que

com a bravura do seu eco
despojaram o medo

Pelo olhar crepuscular das virgens
Que
indiferentes aos plácidos mistérios da madrugada original
projectam sonhos nupciais

Pelas mulheres mães
Que sentadas
vão rezando
entre gestos e augúrios como forma de introduzir
alguma forma ao tempo agora

Pela saudade de algum tempo
Que umas vezes foi afável mas que noutras o não foi

Em nome das viagens
Das matas
Das savanas
Das chanas
Da glória dos dias
Pelo brilho do Sol das manhãs festivas

Invoco os tocadores dos tambores
anunciadores de sincréticas florações

Mahezo

A minha pátria é lá
Onde nascem presságios de dias incomparáveis
Ideias preconcebidas
De que ninguém escapa ao retorno do mar

A minha pátria é lá

Onde se cruzam todos os ciclos
A morte precede a vida
O amor está sempre disponível


Onde batucam tambores
Os altos fogos
Lambem as leitosas noites de cacimbo

E as mulheres
sempre grávidas

compartilham a mesma dor colectiva
e
numa permanente dissaquela de kazola
invocam espíritos no vento dos cazumbis

A minha pátria é lá

Onde a chuva cai no serpentear dos rios antigos.

Impuema 67

Mulher cor de mar
Avelulada

Mulher azul
Prenha de luar

Nuvem inconsistente
Fugidia miragem

Insónia
Mágica
Ritual

Verão
Ilusão de amor

Setembro 2012

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