Uma memorável jornada literária

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Este Maio africano foi, na verdade, imenso e de uma memorável jornada literária para alguns poucos autores dos Países Africanos de Língua Portuguesa (em Portugal) com maior incidência para Lisboa onde entre Abril e Maio aconteceu mais uma feira do livro no parque Eduardo VII. Registámos dentre outras atividades, lançamentos de livros, assinatura de autógrafos, mesas redondas, aulas abertas na Universidade de Lisboa, participação em tertúlias e em contactos com o público ávido de saber de novidades.

Depois da passagem pela Universidade da Beira-Interior, que aqui tivemos já a oportunidade de reportar, assistimos ao lançamento e assinatura de autógrafos – no pavilhão da Câmara Municipal de Lisboa aberto na feira do livro intitulado JARDINS DE ESTAÇÕES do nosso jovem e novél confrade Nok Nogueira, pseudónimo artístico de Emilio Miguel Casemiro, jornalista e escritor com colaboração dispersa pelo Semanário Atual e pelas revistas África Today e Vida, tendo colaborado também no suplemento semanal Vida Cultural do Jornal de Angola com textos poéticos e de análise crítica sobre diversos temas.

Nok é autor de SÍNAIS DE SÍLABAS (2004) e TEMPO AFRICANO (2006), títulos poéticos editados em Luanda respetivamente pelo Instituto Nacional do Livro e pela União dos Escritores Angolanos, títulos que, embora verdade, acabaram por passar despercebidos pela (in)existente crítica literária além fronteiras e até mesmo entre nós.

No seu mais recente título, Nok propõe-nos um inquieto poemário com cinco «estações» semeadas e sedimentadas num único «jardim» que ao mesmo tempo podemos encontrar em diversos sítios, localidades e lugares metaforicamente pronunciados e referenciados ao longo das cerca de 70 páginas do livro agora editado e apresentado pela nós Somos em Portugal.

Em nosso entender, estamos diante de um poemário com presença e presente assente num passado onde «as cinzas do tempo levam-nos a catalogar o sorriso» e com um futuro poeticamente vissível pois, «no vértice das planícies (poéticas claro!) reside a ideia de sonho e de voo» mas, o que mais chama a nossa atenção é mesmo a consciência autoral do poeta resumida nesta magistral citação, do Saramago de A JANGADA DE PEDRA, coma qual nos identificamos pois: «Dificílimo ato é o de escrever, responsabilidade das maiores, basta pensar no extenuante trabalho que será dispor por ordem temporal os acontecimentos, primeiro este, depois aquele, ou, se tal mais convém às necessidades do efeito, o sucesso de hoje posto antes do episódio de ontem, e outras não menos arriscadas acrobacias, o passado como se tivesse sido agora, o presente como um contínuo sem princípio nem fim...».

Na feira do livro em Lisboa, houve igualmente oportunidade para presenciar e participar de uma mesa redonda que como quase sempre era retangular e extensa-, realizada no âmbito da V semana cultural da CPLP organizada pela direção dos serviços culturais da comunidade dos povos falantes da língua portuguesa e que tema frente um confrade e companheiro de tarimba que é o escritor Luís Kamjimbo.

Na mesa o tema rolava em torno das expressões da diversidade na História e literaturas de língua portuguesa, com excelente moderação do Professor Pires Laranjeira da Universidade de Coimbra que para tal se deslocou propositadamente a Lisboa.

O leque de participantes assim o exigia e, aqui cito todos por ordem alfabética, antes que cometa o pecado intelectual do esquecimento de uns por somente referenciar outros. Aida Freudenthal, Alberto Oliveira Pinto, Armindo Silvestre Espírito Santo, Dina Salústio, Fernando Correia, Isabel Castro Henriques, José Luís Hopffer Almada, José Luís Tavares, Leopoldo Amado, Lopito Feijóo, Luís Carlos Patraquim, Luís Costa, Luís Kandjimbo, Maria Esther Maciel, Mário de Carvalho e Nok Nogueira.

Enfim e depois de várias intervenções foi Luís Carlos Patraquim de Moçambique, o Patraca... do escritório no Solar das Galegas, aquele que em jeito de conclusão, (denunciando um alto grau de nervosismo apesar das toneladas de experiência acumulada) deixou a aplaudida reflexão segundo a qual neste nosso cultural mundo de tantos «açougues e açougueiros» o que reina e assistimos diariamente não é senão uma intensa «carniça devorática» em razão das (in)existentes políticas culturais. Em razão da escassa circulação dos agentes culturais e até mesmo em razão do comércio editorial.

Odivelas, Maio de 2012

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