Vozes novíssimas

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Demonstrando uma tendência para grandes voos, este poeta tenta, na procura de enquadramento estético, buscar dos avant-gard do momento as mais recentes fórmulas do exercício da escrita. Embora, pela poesia, insinue um contacto sedutor com as correntes literárias em voga, Custódio Diogo Ramos é, determinantemente, um poeta ainda com muito por se formar. Na correnteza do seu discurso poético sobrevêm fissuras da sua oscilante solidez estética.

Dois dos oito poemas postos à disposição crítica, estes dois ganham atenção pela qualidade. Estes poemas diferenciam-se dos restantes devido a lucidez, singeleza da palavra e sinuosidade na criação da imagem.

Os poemas denotam terem acontecido com naturalidade e chegado à tona com uma segura armação do momento poético. Delineiam o melhor da sua poesia e abrem possibilidades de crer que, com mais exercício e busca de uma definição própria, deste poeta pode surgir um poemário apetecível.

Pode-se constatar, nos restantes poemas apresentados, a influência da pseudo teoria de que o exercício poético não passa de uma mera aglomeração de palavras que, casualmente, resulta em poesia.

Esta errónea tendência é um pouco do resultado da má absorção teorética do desconstrucionismo de Derrida e da teoria do grau zero da escrita de Barthes. Os textos não atingem a fuga ao convencional nem reanimam uma alternativa ao logos. O discurso é caótico e a imagem é distorcida.

4
Lá vai o tempo
Nu
Trepando escadas
Lá vai
A despertar
Espaço
Mar decorado com
sereias e aves
No dia levitado das
Vozes

7
O sórdido tesouro
Milagre em destroço
Dizer-te
Nunca tinha beijado
alguém por engano
Talvez a inveja
Tê-lo-ia feito de
maneira diferente
Lua-de-mel
Dança
Musica
Enquanto algumas
Pessoas dormiam

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