Estela para Nelson Mandela

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Cresce, sombra sagrada
Tu viste a terra de mil colinas
E transpusemos o espaço interdito
A colheita será boa na hora da recusa
Selo da boa nova e partida de tão longe
Vi Soweto e a sua revolta de crianças
A palhota miserável onde velas
Guardião sombrio e de humana bondade
Ilha do último sol
Que se levanta na festa da aurora
Sob os tamancos do arco-íris
Passaremos pelas ruas do poema
Tal como somos
Que tempo faz sob as tuas pálpebras
Se não é um tempo de amanhã
Tempo dos evangelhos
Que roda em torno da minha imagem
E dos sete céus da nação arco-íris
Entra na tua casa Mandela
A tua casa está aberta
O teu povo te espera
Devemos ter prontas as mais belas palavras
Este é o preço da escolta
Na fronte dos faraós
Cingindo as forças elementares
Uma nova solidão nos espreita
Nunca mais estaremos sós
O grito será definitivo
O mar na mais vasta onda lanosa
Parecerá um caçador ébrio
Uma energia tranquila de povo que tem fé
Apenas uma palavra Mandela
Uma palavra de township
Uma palavra de capitão
Uma palavra de cana-de-açúcar
Da casa dos homens
Espalha-se a dor
Apenas uma palavra para fender o nevoeiro
E veremos na noite
O esplendor da tua silhueta
Frutuosa navegação
Hoje um país entrega-se ao mito da morte
E por uma vez vencemos os carcereiros
Eis que a luz se levanta docilmente
O milagre já se cumpriu
Amanheceu sobre o perdão dos justos
Escutaremos este canto tirado à mais alta das estrelas.

Ernest Pépin, Lamentin, 26 de Junho de 2013
[inAFRICULTURES]

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