A primavera das comemorações

Envie este artigo por email

A actualidade afro-parisiense assinala o genocídio dos Tutsi de Abril de 1994. O artista plástico Bruce Clarke, reconhecido e comprometido com várias lutas, realizou pinturas majestosas e dignas, superiores ao tamanho natural, de homens, de mulheres e de crianças em pé, suspensas ou projectadas, no Ruanda, e em lugares simbólicos noutros cantos do mundo.

A primavera das comemorações
Hommes debout

Enquanto em França se julga o primeiro processo de um suspeito de genocídio, LES HOMMES DEBOUT levantam-se em todo o país: na Unesco, no adro de Notre-Dame com o Colectivo VAN [Vigilância Arménia contra o Negacionismo], na avenida principal e em frente da Câmara Municipal de Ivry sur Seine com um concerto em que Gaël Faye tem carta branca, no dia 11 de Abril, e também em Lille e em Limoges, tal como na Maison des Sciences de l’Homme em Paris; tudo isto, ao mesmo tempo que noutros locais emblemáticos como a Praça das Nações em Genebra, a Grande Place de Bruxelas na Bélgica ou ainda a Biblioteca Nacional de Kigali no Ruanda. Na noite de 7 de Abril, data que marca o início do genocídio do Ruanda, e igualmente a data decretada pelas Nações Unidas como «Dia internacional de reflexão sobre os genocídios», terá lugar um evento de luz e som simultaneamente em França, no Palácio das Belas Artes de Lille, na Catedral de Lausana na Suíça e em Ouidah, no Benin: um momento de emoção e de recolhimento para as vítimas e os sobreviventes.
A 16º jornada em que se assinala as vítimas da escravatura colonial terá lugar a 23 de Maio na Praça da Bastilha. Este acontecimento será ritmado pelas animações sobre a aldeia Limyè ba Yo e também por meio de um cenário artístico de excepção, apadrinhado pelo grupo KASSAV’. Será prestada homenagem aos homens e às mulheres que durante a escravatura criaram culturas de uma riqueza e de uma vitalidade raras. A França é um cadinho no qual os cidadãos, para construírem em conjunto, devem descobrir-se, conhecer-se melhor e respeitar-se. Eis a razão pela qual «Limbiyé ba yo - Reconnaissance et Réconciliation» destaca uma memória da escravatura pacificada, e convida os descendentes de negreiros africanos e os descendentes dos colonos a inclinarem-se diante da memória dos antepassados escravos e dos franceses do ultramar. Eles representam um formidável reservatório de energia e de talentos demasiadamente desconhecidos que deveriam ser ressaltados.
O dia comemorativo de 23 de Maio visa pacificar o ressentimento que põe em conflito a memória da escravatura e defender um valor universal: a fraternidade entre os homens e os povos.

Lauren Ekué

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos