Do último Festival da Canção de Luanda: Uma noite feminina e um premiado solitário

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Numa noite em homenagem ao cantor e compositor angolano André Mingas, a voz de Sara Dem, no dia de 21 de Setembro, na 15º edição do Festival da Canção de Luanda, que aconteceu no Cine Atlântico, proporcionou em geral um momento introspetivo anfionista.

Literalmente, sob o comando da sua voz, o sentido destilou emoções e reconstruiu momentos. O Atlântico vibrou e a noite não se fez perceber que era fria. Afinal, era somente a antítese criada por aquela melodia que nos aqueceu bastante: Sara Dem construiu em nós paredes de emoções.

A "baçula" do jurado, uma decisão que para muitos não constituiu novidade, não foi de deixar o público cair boquiaberto. A noite se presumia, para todos ali, propensa a sublimes exaltações. O júri foi ousado e atribuiu somente à Sara as duas principais categorias do concurso: Melhor Voz e Melhor Intérprete.

Os intérpretes

A primeira parte do concurso começou com aplausos ao primeiro intérprete, Délio Amaral Guimarães, que defendeu o tema "Ser Mulher", inaugurou uma noite em grande e deixou várias cogitações pesarem o ar. Délio, de uma voz viva e uma postura em palco bastante comedida, foi seguido pela confiante Elma Coelho, que defendeu o tema "Esperança"; pelo versátil e animado Carlos Daniel "Cidy", que defendeu o tema "Giminina" e cujo percurso de carreira tem como ponto alto a conquista do variante da Huíla de 2009; pela melódica e dócil Isabel dos Reis Simão, que defendeu "Nudez", uma temática amorosa; e pelo Venâncio Bento, que interpretou "Hino do Amor" com arranjos em que o piano também se fez protagonista.

A segunda metade começou com Garibaldino Sinedima, que interpretou o tema "Mufete" e que trouxe à noite a notória presença da dikanza. Foi seguido por Julieta Sara da Costa "Sara Dem", que, com uma voz quente e firme, deu outro ar ao espetáculo ao interpretar "Coisas do Amor"; seguida pelo mediático Erickson Fábio Medeiros "Toty Sa", que defendeu com fusões o tema "Tons de Azul". Nelson Ngenhóhaita Fernando interpretou a canção "O Que eu Quero".

Apesar de ser uma das canções que estava "na ponta da língua" do público presente e pugnar por uma temática recorrente que envolvia paz, unidade e reconstrução, o nono concorrente deixou algo mais por desejar ao traçar a sua postura em palco. Já a finalizar, Abiúde Agostinho N´gola trouxe à plateia o tema "Jisabu", uma rebita embriagante que convida a dançar.

Depois da apresentação dos dez candidatos, oito ou oitenta e Sara ou Isabel eram caminhos fáceis de se perceberem pela boa atuação e aceitação das duas numa noite que, à partida, se adivinhava feminina. Do jurado, presidido por João Machado, faziam parte Dodó Miranda, Africanita, Filipe Mukenga e Lito Costa.

A noite ainda voltou a exaltar-se com a atuação do musical pelo Ballet Tradicional Kilandukilo e de Maria Gadú, artista brasileira convidada. A banda que acompanhou os candidatos esteve sob a direcção de Simmons Massini, que no final do espetáculo disse estar de cordo com o jurado e que a Sara mereceu o duplo prémio.

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