Publicidade não tem hora nem idade certa

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Riram-se dele, como nunca se devia rir às custas de ninguém. Ele, a muito custo, não soltou disparate algum.

Publicidade não tem hora nem idade certa

E foram-se rindo, que até parecia nunca mais terminar. Ele, só raiva no peito. Era um dia com tudo a correr muito bem no quintal. Os mais-velhos, como sempre para celebrar a vida, andavam embalados naquele dialéctico lamentar por isto e aquilo, ladainhas que retiram do foco qualquer mais-novo ali presente.

Não é que um olhar fora de mão foi logo espreitar pelo intervalo entre a carne e o tecido dos calções do rapaz?! Pronto, acabou vendo o que não esperava. Lá estava o que devia estar, e o que não devia também.

Uma camisinha envolvendo o instrumento do menino de oito anos apenas. Não se via bem com que adereço mais se prendia o insólito, dada a diferença entre os diâmetros do homem e da borracha. Mas, também, até aí, não é olhar demais?

“Use a camisinha”, vive repetindo a máquina da propaganda, muitas vezes lacónica demais para se lembrar de dizer como e quando. “Use”. A publicidade não tem hora nem idade certa.

Logo, por quê a chacota, se o rapaz estava apenas a usar como muitas vezes ouve? Para os demais, era com certeza uma iniciativa precipitada e longe do previsto pela máquina da propaganda.

Perguntar, que é bom, nada. Talvez com algum tabu implícito. Só depois de se cansarem de tanta consumição, se aperceberam que não se tratava de brincadeira, antes, de uma solução para não fazer xixi na cama.

Quer dizer, se um gajo faz xixi na cama, riem-se. Se passa dia e noite com camisinha, como forma de evitar os raspanetes, riem-se. É chato ser-se puto, não é?!

Bairro da Santa-Cruz, Lobito

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