Unesco 70 anos Paz inacessível e perigo de guerra

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A UNESCO pode ter portanto um papel preventivo.

Unesco 70 anos Paz inacessível e perigo de guerras
Unesco 70 anos

Decénios após a fundação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO - acrónimo em inglês, United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) na martirizada cidade de Londres, em 16 de Novembro de 1945, portanto, logo alguns meses após o fim da devastadora II Grande Guerra, assiste-se hoje no mundo a uma situação de perigo estrutural provocada pela complexidade da coexistência religiosa a instalar-se. Esta evolução corrobora um dos princípios fundadores deste organismo que salientou, a justo titulo, a origem das guerras nas mentes das pessoas.
Um dos objectivos essenciais da respeitável organização é de cooperar para a paz e segurança no mundo através da educação, da ciência e da cultura. O campo de batalha e o das ideias.
Infelizmente, apesar de vários esforços fornecidos, registaram-se cruéis réplicas da segunda grande guerra na Ásia, acirradas lutas de libertação em África e nas Caraíbas, mortíferas dissensões fratricidas na Europa central e oriental.

NOVOS CONFLITOS

Os programas tridimensionais, visivelmente sub-financiados da organização não permitiram fortalecer um sistema de relações internacionais capaz de impedir novos conflitos tais como os vividos no Médio-Oriente e na Ucrânia. E, justamente, essas duas regiões estão assoladas por guerras com bases, respectivamente, religiosa e cultural.
A primeira está perturbada por uma forte divergência de leitura do Islão e a segunda perdida num desacordo linguístico.
Fontenoy deve ser dotada de meios suficientes a fim de implementar programas corajosos para atingir, gradualmente, um nível de ponderação religiosa aceitável.
Quanto à movimentada Ucrânia deve-se aplicar aí, simplesmente, o direito de identidade linguística vigente em vários conjuntos federais.
A UNESCO pode ter portanto um papel preventivo a jogar nesses contextos conflituosos em vez de estar na retaguarda, lamentando, de braços cruzados, os estragos causados a patrimónios edificados.
A instituição deve influenciar os espíritos a favor da pacificação e da tranquilidade dos seres humanos.

FERRAMENTAS MENTAIS

É por isso que a UNESCO apoiou as nossas análises sobre a importância das tradições bantu na manutenção da paz, sendo vectores de reconciliação nacional ou regional.
A África Central, Oriental e Austral alinha trunfos culturais, convergentes, derivados da sua configuração civilizacional, maioritariamente bantu.
Com efeito, o meio milhar de grupos etnolinguísticos que habita a referida área, cultiva tradições que privilegiam valores tais a paz, a reconciliação, a fraternidade, a amizade, a harmonia, a concórdia, a consanguinidade, a abertura à alteridade e a solidariedade.
Esses conceitos apresentam os mesmos radicais do bantu comum, com uma evolução significativa, idêntica, e inseridos em ensinamentos orais semelhantes.
Analisamos alguns valores e concepções relacionados com a paz e a reconciliação nacional, e expressos através de adágios, ditados ou provérbios que contêm, muitas das vezes, regras lógicas.
Ensaiamos explicar os dados do corpus verbal tomado em exemplo.
O cruzamento semântico bantu sobre alguns conceitos que se seguem, foi feito, a título ilustrativo, indicando o radical proto-bantu na base do Comparative Bantu de Malcolm Guthrie. Isso, nos permitiu apreciar as similitudes das noções.
Os elementos de análise que acabamos de alinhar confirmam que as populações bantu marcaram, desde milénios, as suas sociedades com várias estacas filosóficas, permitindo uma vivência social o mais possível pacífica, a criação de uma plataforma para a reconciliação, a diversos níveis, a justa paridade das noções de irmão biológico e de irmão social.
Num notável discernimento, elas são sensíveis à alteridade, como fontes de inspiração e enriquecimento civilizacional.
Povos com uma longa experiencia histórica, eles apreciam, no seu justo valor, vários ordenamentos ideológicos, que são fundamentais para o equilíbrio da sociedade, e afirmam a génese destes no próprio Ser Supremo.
A zona bantu, terra de um considerável potencial económico, que tem o caminho bem traçado para tornar-se a parte mais forte de Afrikiya constituiu uma peca essencial do Renascimento do continente niger, e deve explorar ao máximo neste ano do 70º aniversário da UNESCO os inestimáveis valores cristalizados pelas suas diferentes componentes etnolinguísticas à volta dos conceitos de paz e reconciliação nacional.
A área pode servir de exemplo para o perigoso Médio-Oriente e a desorientada Ucrânia, na forma de utilizar as ferramentas mentais a fim de garantir um futuro de paz para a humanidade.

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