África: Um passado glorioso um futuro promissor (I)

Envie este artigo por email

Abordarei a minha analise, numa evolução tríptica, que realçará os grandes factos atestados ao nosso continente, durante o período pré-histórico, a fase de transição proto-histórica, o calamitoso episódio do tráfico de escravos, as seculares e multiseculares ocupação e administração coloniais, a configuração geral da situação atual e algumas linhas prospetivas.

Pintura mural do Egipto Antigo

BERÇO DA HUMANIDADE

As descobertas recentes feitas no domínio da arqueologia pré- histórica, sobretudo na África oriental e central, confirmam que é no nosso continente que se registaram, há cerca de 3 500 000 anos, os primeiros processos de hominização.

Esta evolução hominídea será feita paralelamente à invenção de diversos moldes líticos, e partir do Later Stone Age, há cerca de 10 000 anos, do exercício da vegecultura e da criação.

Esta fase progredirá, extraordinariamente, no vale do Nilo, no IV milénio antes da nossa era, com a brilhante civilização egípcia.

É um estádio fundamental da história da humanidade com a grande característica do Egipto ter mantido relações com a Núbia e a Etiópia antiga.

São 5 000 anos de história que se estendem ao longo dos 6 700 km do Nilo, desde o Lago Vitória, na África oriental, até ao delta, no Mediterrâneo, e que se inscreveu numa bacia de cerca de 3 milhões de km2. As provas da existência deste bloco histórico são os melano-africanos que tiveram um papel determinante no Egipto faraónico e as línguas negro-africanas apresentam laços genéticos com o egípcio antigo. E um dos numerosos factos a reter é o "Misr" antigo, que se situa entre 1580 e 1085, uma das grandes potências do Oriente.

Ao sul da "doação do Nilo", vão prosperar no decurso do primeiro milénio antes da nossa era até ao primeiro século da nossa era, várias formações históricas tais como o Reino de Méroé, que será substituído, mais tarde, pelo o Reino de Aksoum.

Neste mesmo período, regista-se a emergência de Nok, na atual Nigéria. É próximo desta região que partirá uma das grandes dinâmicas civilizacionais da história africana com as contínuas migrações e a extraordinária expansão das populações bantu.

Essas populações metalurgistas, vão ocupar o terço de África ou seja mais de 11 milhões de km2 e organizar, na África central, oriental e austral, em épocas diversas, dezenas de entidades políticas tais como o Kongo e os seus territórios aliados, o Téké, o Kuba, o Luba, o Lunda, o Lozi, o Zimbabwé, o Mwana Mutapa, o Zulu, o Swazi, o Ruanda, o Rundi, o Ganda, etc.

A África ocidental, ligada à zona bantu através da classificação "Níger ­ Congo ", conheceu igualmente a surgimento e a organização de vários reinos e impérios, tais o São, o Ifé, o Benim, o Gana, o Mali, o Songhai, o Bornou e o Mossi.

A África de ontem, vasto bloco sem o Saara desertificado e mesmo depois desta mudança climática maior, era sinónima de contactos e trocas de vária ordem assim como de fusões de populações.

Uma das consequências desta evolução histórica é que as civilizações africanas apresentam, hoje, um vasto quadro de similitudes linguísticas e antropológicas.

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos