Arraiá Bem Brasil e Noite da Nostalgia do Uruguai

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No mês do dedicado ao autor de "Havemos de Voltar" duas comunidades estrangeiras trazem para Luanda festas populares que estão enraizadas na sua cultura, "Arraiá" e "Noite da Nostalgia" respectivamente do Brasil e Uruguai. A primeira aconteceu na Fortaleza de São Miguel e a segunda no Palácio de Ferro.

No mês do dedicado ao autor de "Havemos de Voltar" duas comunidades estrangeiras trazem para Luanda festas populares que estão enraizadas na sua cultura, "Arraiá" e "Noite da Nostalgia" respectivamente do Brasil e Uruguai. A primeira aconteceu na Fortaleza de São Miguel e a segunda no Palácio de Ferro.

Arraiá Bem Brasil
A Fortaleza de São Miguel mais uma vez foi espaço escolhido para a realização do "Arraiá Bem Brasil", o evento esteve inserido nas celebrações da 13ª edição, a Semana do Brasil e da Independência do Brasil. Targino Gondim e quatro sanfoneiros brindaram o público apostando no forró um dos ritmos mais tradiconais do sertão nordestino. O artista que ao lado de Raimundo Sodré no ano passado esteve no primeiro Arraiá Bem Brasil regressou com o projecto Quinteto Sanfónico do Brasil, do qual é líder. Músicas como "Asa Branca", "Esperando na Janela", "Eu sou quero um Xodò" e outras que em Angola ficaram conhecidas na voz de artistas como Luis Gonzagas, Gilberto Gil, Dominguinhos, Elba Ramalho e em novelas como Roque Santeiro, Lampião e Maria Bonita foram apreciadas no sertão que foi transformado o actual Museu das Forças Armadas . O Arraiá acontece geralmente nas comemorações das tradicionais festas juninas, mas em solo angolano este ano foram transferidas para o mês de Setembro, segundo a organização porque em Junho os principais nomes do "Forró" têm a gente preenchida e optaram por estes dias para as celebrações do Brasil em Angola, por isto este "Arraiá fora de época". Na festa a música foi acompanhada por comidas típicas das festas juninas, confeccionadas principalmente com milho, mandioca e ginguba, bebidas e decoração especial, tudo no clima das festas juninas do Nordeste.
De salientar que o músico Gerson Castro e sua banda abriram, a actividade brindando o público com temas nacionais e de outras paragens. Os brasileiros subiram ao palco depois de uma forte demonstração do ambiente festivo nordestino, com um mestre de cerimónia convidando os presentes para uma roda.
A produção da festa mostrou um certo desconhecimento da cultura angolana, afirmando desconhecer a existência de artistas angolanos que tocassem concertina e sugerindo que com este projecto, o Forrô estava a entrar em Angola. Horácio Dá Mesquita e Raúl Tollingas executantes da concerina mostraram-se indignados com esta postura e questionam estes intercâmbios culturais. Targino Gondim é um músico e compositor brasileiro premiado e bastante reconhecido no norte e nordeste brasileiro por canções juninas, forró, baião, xote e outros ritmos nordestino. Estoirou com "Esperando na Janela" Melhor cantor regional em 2010, sua canção que rendeu um Grammy em 2001 e foi a mais executada no Brasil em 2004. Gondim mudou-se para a cidade de Juazeiro na Bahia, aos quatro anos de idade e, oito anos depois, começou a tocar sanfona com o pai de forma que, já com dezoito anos, começou a apresentar-se em shows nas cidades interiores de Pernambuco. Seu primeiro sucesso na região se deu com "Até Mais Ver", no ano de 1994; isto o levou a se apresentar na televisão, ganhando maior projecção. Cinco anos depois Targino foi descoberto pela apresentadora Regina Casé e teve sua canção "Esperando na Janela" incluída no filme de 2000, Eu, Tu, Eles. Em 2001 apresentou-se na "Tenda Raízes" do festival Rock in Rio e em 2004 "Esperando na Janela" se tornou a música mais executada no Brasil. A canção já lhe rendera, em 2001, o Grammy Latino como melhor música brasileira. Além das composições próprias, Targino apresenta remakes de canções de Luiz Gonzaga e já gravou junto a artistas como Margareth Menezes, Elba Ramalho e Dominguinhos; seu primeiro CD, em 2001, foi lançado pela gravadora "Geleia Geral", de Gilberto Gil. Em 2010 Gondim foi agraciado na 21ª edição do Prémio da Música Brasileira como o melhor cantor regional. Tem na forja um trabalho com Carlinhos Brown, Zeca Baladero, Gilberto Gil e outros nomes brasileiros. Em paralelo desenvolve o projecto Quinteto Sanfonico que reúne outros executantes deste instrumento.

Quinteto Sanfónico do Brasil
Cinco sanfoneiros tocando clássicos de diversos ritmos, esta é a proposta do Quinteto Sanfônico que apresenta a união das sanfonas tocando em harmonia e em uma só forma. Os cinco integrantes e amigos que participam do projecto começaram os encontros em rodadas de sanfonas. “Destes encontros foram surgindo ideias e repertórios, fomos selecionando as músicas mais queridas para tocar juntos”, revela Targino Gondim que, junto com Cicinho de Assis, Geo Barbosa, Marquinhos Café e Renan Mendes, forma o grupo. A união destes artistas foi criada em 2013 na gravação do CD de Targino, “Sertão da Gente”.
O projeto não se apega apenas a músicas tradicionalmente nordestinas. Nas apresentações são tocadas canções de ritmos como jazz, tango e chamamé. No repertório, canções como “Adios Nonino” (Astor Piazolla), “João e Maria” (Chico Buarque de Holanda e Sivuca) e Wave (Tom Jobim). O Quinteto valoriza a tradição e a força da sanfona no Brasil. Nos shows são apresentadas outras possibilidades musicais com o instrumento que se toca abraçado. É possível verificar que cada integrante tem uma peculiaridade, uma técnica e uma forma de tocar. Já foram feitas algumas apresentações em cidades do interior da Bahia, além do XX Festival de Música INSTRUMENTAL da Bahia e do Terceiro Festival Internacional da Sanfona.

Uriguai um Povo amigo
e a sua Noite de Nostalgia
Palácio de Ferro acolheu os convidados da representação diplomática, da Embaixada do Uruguai no âmbito do seu 193ª Aniversário da Declaração da Independência num evento mullticultural e trouxe uma das festas mais populares do seu pais que é a "Noite da Nostalgia" para Luanda. Os grandes atractivos foram a exposição de fotografias sobre os direitos humanos internacionais, acompanhado com pratos típicos uma proposta dos concidadãos de José Alberto Mujica Cordano e Luiz Suarez e a parte angolanam Fundação Sindika Dokolo ofereceu a maravilha da cultura e arte angolana com música nacional da Banda Maravilha.
Moreira Filho, Marito Furtado, Miqueias Ramiro, Isáu Baptista, FM e Djanira Barbosa mostraram versatilidade e fizeram incursão a música moderna do Uruguai. A discoteca viajou pelas canções tradicionais uruguaias, como a Milonga, estilos afro-uruguaios e rasgos de Tango.
Por questões de agenda, a primeira edição da Noite de Nostalgia em Angola, aconteceu em Setembro e não a 24 de Agosto como é tradição no Uruguai. Com a realização da festa pretendem dar um impulso nas relações culturias entre os dois povos. Importar recordar que no passado, este país latino americano ficou conhecido com a emissão do programa radiofónico
"Uruguai um Povo em Luta".

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