Dondo: Uma vila que persiste ao tempo e à memória

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O desafio que nos foi colocado para esta edição do Cultura remete-nos para a história, práticas e reflexões em torno de um dos já muito raros lugares-síntese, capaz de evocar o nosso passado, a nossa história e que por alguma razão se chama Dondo (Ndondu).

Com a feira pode-se, também, proporcionar um circuito, viabilizando a sensibilização das pessoas sobre a história daquele velho burgo e a necessidade para a sua preservação.

A nossa modesta opinião é de que é possível construir-se um plano de proteção e de gestão da histórica vila do Dondo. O objetivo será garantir a preservação dos valores patrimoniais da cidade, melhorar a qualidade de vida da sua população e de sua atratividade turística.

Sugeríamos, então, só numa primeira fase, que se impedisse que a degradação continue ou que continue ao ritmo que tem sucedido.

Será primordial, no entanto, que se evite a condenação da vila do Dondo, um dia, em vestígio de épocas passadas e um testemunho da indiferença das gerações atuais. É por isso necessário, multiplicar atualmente, os esforços para dar uma outra imagem e dimensão àquela vila que, possibilitaria remeter a vila ao lugar que merece na história da urbanização em Angola, pelo seu significativo valor histórico-cultural.

Constitui um património edificado e paisagístico de grande importância no contexto nacional. O próprio potencial que lhe advém pelo facto de fazer coincidir um equilíbrio e uma beleza significativas em termos de paisagem edificada com um valor cénico muito grande da sua envolvente pode ser responsável por uma atratividade aos seus visitantes e turistas.

Constou-nos, porém, a falta da classificação da vila (como "Cidade Histórica", "Zona Histórica" e porque não "Paisagem Urbana Histórica"?) que seria, em nosso entender, uma útil ferramenta de preservação. Pois, a vila passaria a ter um amparo jurídico e eventualmente ajudaria o Estado fazer face às iniciativas antagónicas à sua condição de um importante "documento histórico". Salientamos que ela é das mais antigas e, modéstia à parte, das mais bonitas do País.

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