Monumentos coloniais à procura dos velhos pedestais

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Por ocasião do 18 de Abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios e no ano em que a Convenção da Unesco sobre a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural completa o seu quadragésimo aniversário, entregámos ao director do Instituto Nacional do Património Cultural, Ziva Domingos, algumas questões que aqui deixamos impressas para reflexão dos nossos leitores, principalmente ligadas à gestão do património herdado do colonialismo.

Ziva Domingos, director do Instituto Nacional do Património Cultural, INPC

Entrevista ao director do Instituto Nacional do Património Cultural, INPC, Ziva Domingos

O tema proposto pelo ICOMOS (Conselho Internacional Dos Monumentos e dos Sítios) para comemorar o 18 de Abril, Dia Internacional dos  Monumentos e Sítios em 2012 é “40°Aniversário da Convenção do Património Mundial: Reconhecer os Desafios do Futuro”. Considerando que o património é o legado que recebemos do passado, vivemos no presente e transmitimos às futuras gerações, o que nos pode dizer sobre o destino a dar aos monumentos coloniais transladados para o Museu das Forças Armadas? Já se temo inventário completo de todos esses monumentos e também sítios deixados pela Administração Colonial em Angola?

Ziva Domingos O verdadeiro destino a dar aos monumentos coloniais colocados do Museu das Forças Armadas dependerá da política do Executivo sobre a criação de um Museu de História de Angola com uma das componentes dedicada à História Colonial.
Estes monumentos se encontram neste lugar hoje pelo facto de estarem ligados à origem da fundação da Cidade de Luanda e por ser um dos pontos estratégicos da luta Contra colonialismo.

Considerando a história recente de Angola, a prioridade não era dada a história colonial devido aos danos que o colonialismo causou à vida do povo angolano.  Esta realidade afetou também o sector do Património que ainda não deu um tratamento específico a alguns monumentos e sítios da Administração Colonial. Mas no nosso inventário constam vários edifícios e palácios que serviram de residência aos administradores coloniais e outros lugares que serviram de ponto de resistência ao colonialismo (as fortalezas por exemplo).

JC – A Convenção sobre a Proteção Do Património Mundial, Cultural e Natural, considera como “património cultural” as obras arquitetónicas, esculturas ou pinturas monumentais, Objetos ou estruturas arqueológicas, inscrições, grutas e conjuntos de valor
universal excecional do ponto de vista da história, da arte ou da ciência. Cabo-Verde, por exemplo, conserva até à data todos os monumentos herdados do regime colonial. Dentro da definição da Convenção pode o monumento a Diogo Cão, por exemplo, regressar ao largo frente ao Porto de Luanda?

ZD - A instalação de qualquer monumento dentro de uma cidade depende muito da importância que o Governo, a sociedade civil e as comunidades acordam a este bem considerando o papel que certa personagem jogou na História de qualquer país e a sua ligação comos desafios passados, presentes e futuros. A grande questão que devemos nos colocar aqui é de saber se a descoberta do Continente Africano (de Angola, em particular) feita pelo Diego Cão representa algo simbólico e histórico para o povo Angolano?
Se for, sim, não se coloca qualquer obstáculo para que no futuro o monumento desta personagem seja reinstalado ao largo frente ao Porto de Luanda. Mas se esta personagem é encarada como um colono, talvez no estado atual das coisas, será um pouco difícil que se dê um tratamento especial a este assunto.

JC - Este ano assinala-se o 40º aniversário da Convenção da Unesco sobre a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural, que nos coloca perante a reflexão dos novos desafios e complexidades exigidas à salvaguarda, valorização e gestão do património numa sociedade cada vez mais global, mas também em profunda transformação. Angola já ratificou esta Convenção? Oque implica para o país essa ratificação?

ZD - Angola já ratificou esta convenção e é Estado Parte da Convenção. A ratificação traz vários benefícios para qualquer País:
- Um maior engajamento do país nos esforços da preservação e valorização do Seu património cultural e natural;
- Possibilidades de beneficiar dos fundos de assistência técnica da UNESCO para a preparação das candidaturas de inscrição de bens patrimoniais na Lista Indicativa e na Lista do Património da Humanidade (no caso de Angola, o Ministério da Cultura, através do INPC, está a trabalhar no sentido de inscrever o sítio histórico arqueológico de Mbanza Kongo, o sítio de arte rupestre de Tchitundu-Hulu e o Corredor do Kwanza na Lista do Património Mundial da UNESCO);
- Valorização e promoção dos sítios inscritos na Lista do Património Mundial aumentado a oferta do turismo cultural;
- Participação dos técnicos nas ações de formação e nos encontros internacionais promovidos pela UNESCO no quadro desta convenção (os técnicos do INPC estão constantemente presentes nestes eventos).

JC - O INPC tem algum programa específico para celebrar a data em Angola?

ZD - Para as Comemorações do Dia 18deAbril2012, o INPC vai realizar as seguintes atividades:
- Exposição fotográfica e documental sobre a arquitetura religiosa no Museu de História Natural;
- Classificação da Zona Histórica da Cidade de M banza Kongo como património nacional;
- Descerramento de placas nos seguintes edifícios:
* Hospital Josina Machel
* Banco Nacional de Angola
* Estação do Caminho de Ferro de Luanda(Bungo)
* Edifício do antigo Banco Nacional Ultramarino.



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