Paróquia de Nossa Senhora da Nazaré celebrou 348 anos

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O Santuário de Nossa Senhora da Nazaré em Luanda celebrou no passado dia 9 de Setembro (domingo) o seu 348º aniversário.

Sábado, dia 8, pelas 16 horas, houve o encerramento da Novena iniciada a 31 de Agosto, em homenagem à padroeira e em favor da paz, seguido da tradicional procissão de velas.

Fundada em 1664, a Igreja de Nossa Senhora da Nazaré foi construída praticamente sobre a água, junto à linha da Marginal de Luanda. André Vidal de Negreiros, artífice da libertação do Brasil do jugo holandês e governador de Angola, mandou construir a Igreja como forma de agradecer a Deus ter sobrevivido a um náufrago, numa viagem do Brasil a Angola.

A Igreja de Nossa Senhora do Nazaré é anterior à batalha de Ambuíla (Outubro de 1665). A sua decoração interior, feita em azulejos da época, retrata diferentes factos históricos; na Capela-Mor, dois Azulejos retratam o naufrágio e o milagre que motivou a construção da ermida.

A batalha de Ambuíla também está retratada nos azulejos decorativos da Igreja, por ter ocorrido um ano depois da conclusão da obra e enquanto decorria a sua decoração quis o edificador associar esta Ermida a esta batalha. Da sua decoração destacam-se ainda imagens de Santa Efigénia da Etiópia (Negra), de Nossa Senhora de Nazaré (imagens originais) e outros santos.

Segundo o pároco Elias Oliveira, "a Igreja de Nossa Senhora da Nazaré foi a primeira relíquia classificada em Angola como Monumento Nacional cuja portaria de classificação foi referendada pelo Alto-comissário, Norton de Matos, em 28 de Junho de 1922."

O mesmo pároco católico adiantou que, em 3 de Agosto de 1965, a Igreja foi elevada a categoria de Paróquia de Nossa Senhora da Nazaré, abrangendo todo o território da faixa marítima de Luanda até aos morros da Boavista, Alto das Cruzes e viveiros dos serviços florestais, desde a Rua Vereador Castelo Branco, oeste, até ao viaduto sobre os caminhos de ferro, a leste.

O padre Oliveira descreveu as vicissitudes por que a sua igreja passou. Sofreu várias intempéries, foi destruída por mais de três vezes por invasão das águas do mar e pela forte chuva de 1909, mas foi sempre restaurada e o seu acervo conservado em outras igrejas como a de Nossa Senhora do Carmo e a dos Remédios.

A imagem da padroeira que lhe deu o nome e que ainda hoje ostenta é a mesma de 1664, fruto de diferentes processos de manutenção. A sua restauração contou sempre com ajuda do governo-geral de Angola e dos paroquianos e homens de boa vontade da época.

Este ano, a Igreja de Nossa Senhora da Nazaré foi novamente invadida pelas águas, ao contrário de outros tempos as portas não se fecharam, e com a ajuda do Governo angolano, dos benfeitores e empresas que operam nas áreas adjacentes à Igreja e baía de Luanda, o processo de salvamento decorre a bom ritmo.

Com uma tradição de milagres sem conta, a Igreja de Nossa Senhora da Nazaré emana uma fé viva e milhares são as pessoas que a ela recorrerem com diferentes aflições e inúmeros são os relatos da sua ação de graças. Um deles, foi-nos transmitido ao vivo, à saída da procissão, por Maria Madalena Ferreira, 52 anos, devota da Senhora da Nazaré desde criança. “Muita coisa boa tem acontecido na minha vida, os meus pedidos têm sido atendidos,” esclarece.

Durante a caminhada da procissão, Maria Ferreira procurou colocar todas as suas preocupações à Santa para que a ilumine cada vez mais e encontre as respostas adequadas aos problemas da vida: paz de espírito, sossego, conforto. Sobre o edifício antigo da Igreja, a devota foi perentória em afirmar: "É um monumento histórico, um local onde devemos buscar aquilo que almejamos dentro do nosso espírito, portanto esta igreja deve ser preservada."

Outra devota entrevistada foi Maria Carlota António de Jesus, de 70 anos de idade, 54 dos quais a receber as bênçãos pelo serviço prestado à paroquia. Esta moradora do S. Paulo assume-se como legionária, soldado de Maria. "Nós temos feito o trabalho da Igreja", disse.

"Temos retiros, visitamos os doentes, as cadeias, ajudamos os que não têm, com alimentos espirituais e materiais." Maria Carlota diz ter recebido uma bênção especial: "saí daqui bem doente, com uma trombose, fui a Fátima e lá fui curada."
E lá seguiu a procissão, com a Virgem no andor, aos ombros das mamãs-soldados, entre louvores e cânticos, as mãos fechadas sobre velas acesas, pela rua Major Kanhangulo fora...

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