Reabriu o Museu Regional do Dundo

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A primeira e a maior Instituição Museológica de Angola

Reabriu o Museu Regional do Dundo Fotografia: Joaquim Aguiar
"Da minha parte tenho esta nobre missão de pegar nesta cultura e levá-la para outros contextos, nomeadamente na dança africana ou seja para a dança contemporânea. Vou investigar, recolher imagens e estar em contacto com a essência de forma que a cultura se mantenha viva", assegurou, Ana Clara Guerra Marques.

A investigadora, que é mestre em performance artística, com a tese "Sobre os Akixi a Kuhangana entre os Tchokwes de Angola", comparou o museu regional do Dundo a "uma joia bastante preciosa" que carece constantemente de lapidação, de forma a manter interesse e beleza inicial.

"As pessoas não podem deixar que esta joia se estrague, desapareça, devem tudo fazer para continuarem a promover a cultura, os hábitos e costumes dessa região", disse.

Para Ana Clara Guerra Marques, o ritual do mukanda "é uma coisa fantástica e os jovens, a partir de tenra idade devem saber sobre isso, sobre a máscara do mwana pwo, o muquíxi, portanto tudo precisa de mais vida mais divulgação e mais encontros, congressos, simpósios para que de facto se conheça a essência dos povos da região leste de Angola".

Historial

O museu do Dundo, foi criado em 1936, pela então companhia de Diamantes de Angola (DIAMANG) e tinha como secções fundamentais a etnografia, pré-história, folclore e música.

Faziam também parte do museu do Dundo, o museu do Balabala, que se dedicava ao estudo da arqueologia, um laboratório de biologia que ao longo dos anos apresentou ao mundo científico a descoberta e o conhecimento de novos mamíferos, peixes, batráquios, sáurios, aves e novas espécies ou géneros de insetos, além de contribuições para o estudo da fauna da região da Lunda e da África Central.

Há a destacar, também, a "Aldeia Museu" que abrigava os artistas que trabalhavam regularmente em escultura, pintura e tecelagem de forma a permitir a revitalização de alguns padrões culturais em via de extinção.

As primeiras coleções do museu do Dundo começaram a ser recolhidas em 1936, tendo sido obtidas em diversos pontos da região leste do país, mas sobretudo nas atuais províncias das Lundas Norte e Sul e Moxico.

A iniciativa cabe ao etnógrafo português José Redinha, colocado ao serviço da administração colonial, na então vila de Portugália, que começou com uma coleção privada de objetos etnográficos, a qual evoluiu, com a pronta intervenção da DIAMANG, para um museu, cujos trabalhos alcançaram o mundo, tendo sido considerado na década de 1950, como um dos maiores a sul do Sara.

Até 1974 o museu do Dundo tinha um acervo de mais de 20 mil peças.

O museu do Dundo desenvolveu um importante intercâmbio cultural e científico com organizações congéneres de outros países, tendo participado em vários congressos. A par de dar a conhecer ao mundo a cultura da região leste de Angola, promoveu igualmente exposições em vários países do mundo.

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